O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta terça-feira (24), pela condenação do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que ficou inelegível por oito anos. A sentença aponta envolvimento em abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022, impedindo-o de disputar o Senado pelo PL neste pleito.
A corte reformou a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia absolvido Castro e outros investigados em maio de 2024. Além disso, foi avaliada a possibilidade de cassação do mandato do ex-governador, que na véspera renunciou ao cargo, uma estratégia interpretada por analistas como tentativa de evitar a perda imediata do posto.
O julgamento foi decidido por maioria de votos, liderada pela relatora Isabel Gallotti, que havia se manifestado favoravelmente à condenação ainda em novembro de 2025. Os ministros Antonio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia acompanharam esse entendimento. Ficaram vencidos os ministros Nunes Marques e André Mendonça, que defenderam a ausência de provas suficientes para a condenação. Marques destacou que as evidências apresentadas não atingiram o grau necessário de certeza, além de argumentar que a reeleição de Castro enfraquece a alegação de uso de recursos públicos na campanha.
Na mesma votação, Mendonça manifestou-se contrariamente a Castro, mas votou pela cassação e inelegibilidade do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, apontado como também envolvido no esquema investigado.
A investigação do TSE apontou para um possível esquema de contratação irregular de aproximadamente 27 mil servidores temporários, por meio da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). As contratações, segundo as acusações, teriam sido utilizadas como cabos eleitorais na campanha ao governo estadual em 2022.
O processo foi aberto a partir de investigações eleitorais, promovidas pela coligação que apoiou Marcelo Freixo, adversário de Castro na eleição, além do Ministério Público Eleitoral. O caso também envolveu outros envolvidos, como o deputado Rodrigo Bacellar, Thiago Pampolha — que deixou o cargo em 2025 para tomar posse no Tribunal de Contas do Estado — e Gabriel Lopes, considerado um dos responsáveis pela suposta estrutura ilícita.
Em comunicado divulgado pelas redes sociais, Cláudio Castro afirmou que atuou sempre dentro da legalidade e criticou a decisão do tribunal. Ele reforçou que sua gestão foi responsável e comprometida com a população, além de destacar que o resultado das urnas demonstra o apoio popular. Castro também argumentou que as acusações não tinham relação com o período eleitoral, ressaltando que todas as provas alegadas referem-se a fatos anteriores ao pleito de 2022 e não influenciaram sua votação expressiva.
O ex-governador anunciou a intenção de recorrer da decisão, assim que tiver acesso ao acórdão, buscando, na visão dele, o restabelecimento de sua conduta perante a Justiça eleitoral.
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