março 28, 2026
março 28, 2026
28/03/2026

Um em cada quatro adolescentes femininas no Brasil já sofreu violência sexual, aponta IBGE

Um quarto das adolescentes brasileiras já vivenciou algum tipo de violência sexual, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa, realizada com estudantes de 13 a 17 anos, revela um aumento significativo em relação a 2019, quando o percentual de meninas que relataram esse tipo de abuso era menor. Além de relatos de toques e beijos forçados, uma parcela considerável das adolescentes afirmou ter sido coagida ou ameaçada para manter relações sexuais.

O levantamento também aponta que mais de 2,2 milhões de estudantes sofreram assédio sexual, enquanto aproximadamente 1,1 milhão foram vítimas de atos de coerção para relações sexuais. O estudo destaca que muitos dos jovens não reconhecem imediatamente a violência, muitas vezes por falta de compreensão ou por fatores culturais e sociais. Para facilitar a identificação, a pesquisa classificou diferentes tipos de abuso.

No que tange à idade das vítimas, há um dado alarmante: 66,2% das adolescentes que relataram relações forçadas tinham 13 anos ou menos na época do incidente. Os agressores, em sua maioria, fazem parte do círculo próximo às vítimas. São eles familiares (26,6%), namorados ou ex-namorados (22,6%), amigos (16,2%) e responsáveis, como pais ou madrastas (8,9%). No caso do assédio, os abusadores podem ser conhecidos ou desconhecidos, com frequências semelhantes.

A pesquisa aponta maior incidência de casos graves em escolas públicas, onde 9,3% das estudantes relataram relações forçadas, enquanto na rede privada a taxa é de 5,7%. Em relação ao assédio, os números são semelhantes nas duas redes de ensino. Ademais, o levantamento revela que cerca de 7,3% das adolescentes que iniciaram a vida sexual já engravidaram, a maioria na rede pública, sobretudo em estados como Amazonas, Maranhão e Pará, onde os índices superam 10%.

Há também uma diminuição no uso de métodos contraceptivos ao longo do tempo, com 61,7% das adolescentes afirmando usar preservativo na primeira relação e 57,2% na mais recente. O uso da pílula do dia seguinte também é frequente, indicando possíveis falhas nas ações de prevenção.

Embora haja uma redução no número absoluto de jovens sexualmente ativos, muitos iniciam a vida sexual precocemente. Uma parcela significativa, 36,8%, teve sua primeira relação aos 13 anos ou menos, com a idade média variando entre 13,3 anos para meninos e 14,3 anos para meninas. Com a idade mínima de consentimento estabelecida em 14 anos, relações realizadas abaixo desse limite podem configurar infrações legais.

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção, educação sexual e suporte às vítimas de violência sexual infantil. A frequência desses casos, muitas vezes silenciosos, evidencia a urgência de ações que possam prevenir e combater esses abusos, especialmente quando praticados por pessoas próximas às vítimas.


Acompanhe o Ora Veja para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad