Nesta semana, a retirada de documentos do antigo Instituto Médico-Legal (IML), na Lapa, foi retomada, com as universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Rio de Janeiro (Unirio) demonstrando interesse em colaborar na preservação do acervo histórico. O material, que teve uma nova etapa de retirada concluída nesta quarta-feira, passará a integrar o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj).
A Unirio já possui experiência na organização e tratamento de parte do acervo, fruto de um projeto desenvolvido em parceria com o Arquivo Público. Esse conjunto documental inclui registros feitos pela Polícia Civil ao longo de várias décadas. Existem também propostas de financiamento para apoiar as ações de conservação e recuperação do material.
A iniciativa ocorre em resposta às denúncias relativas às condições de armazenamento do acervo, especialmente após relatos de descarte de documentos pelas janelas do prédio há aproximadamente três meses. Essas informações mobilizaram instituições voltadas à preservação histórica, além de pesquisadores e entidades especializadas. O Ministério Público Federal acompanha o andamento das ações de proteção às peças.
O acervo, considerado um dos mais importantes sob custódia do Estado, reúne aproximadamente 440 mil itens iconográficos e cerca de 3 mil metros lineares de documentos. Entre eles, estão livros, fotografias, mapas e documentos administrativos. Parte do conteúdo pode fornecer subsídios para pesquisas sobre violações de direitos humanos ocorridas durante o período da ditadura militar.
A transferência do material para o Arquivo Público do Estado ainda necessita de uma solução temporária de armazenamento, devido à limitação de espaço do próprio órgão. O governo estadual negocia com a Superintendência do Patrimônio da União e a Secretaria-Geral da Presidência da República uma alternativa provisória de local adequado para abrigar os documentos até que uma solução definitiva seja encontrada.
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