outubro 9, 2026
outubro 9, 2026
09/10/2026

Universidade Federal de Niterói reforça coleta de óleo usado para reaproveitamento e proteção ambiental

Três campi da Universidade Federal Fluminense (UFF), localizados em Niterói, oferecem pontos de coleta de óleo de cozinha usado. A iniciativa visa incentivar a separação do resíduo, que posteriormente é reaproveitado na fabricação de produtos de limpeza, como sabão e detergentes. Os locais ficam no campus do Gragoatá, Valonguinho e Praia Vermelha, e a ação tem como público-alvo estudantes, funcionários, professores e moradores da região.

A coleta faz parte do Projeto Omìayê, desenvolvido pelo Instituto Singular – Ideias Inovadoras (ISII), que após mais de um ano de parceria foi renovado. Segundo o projeto, a ação já evitou a possível contaminação de mais de um milhão de litros de água, estimativa baseada na relação de que um litro de óleo descartado inadequadamente pode contaminar até 25 mil litros de água. Essa estimativa reflete uma potencialidade de impacto ambiental, não uma medição direta de água limpa ou recuperada.

Os pontos de recebimento nos campi universitários estão acessíveis a toda comunidade, incluindo também moradores da área. Ainda que o endereço preciso e os horários de funcionamento não estejam detalhados na divulgação, recomenda-se consultar o site do projeto Omìayê para verificar essas informações antes de fazer a entrega. O objetivo é ampliar o hábito de separar o óleo para evitar sua entrada nas redes de esgoto e águas naturais, transformando-o posteriormente em novos produtos a partir de processos de reaproveitamento.

Após a coleta, o óleo é enviado à EcoFábrica Omì, localizada na comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Lá, o material passa por procedimentos de processamento para ser convertido em itens como sabonetes ecológicos, detergentes e lava-roupas, distribuídos gratuitamente à comunidade local. Esses produtos incorporam microrganismos biorremediadores, que auxiliam na redução de poluentes, tecnologia desenvolvida em parceria com a própria universidade.

O projeto inclui ainda ações de estudo e desenvolvimento de novas formulações com a participação de estudantes. Entre os produtos produzidos estão detergentes líquidos e lava-roupas, submetidos a análises laboratoriais de qualidade, como avaliações de pH e viscose. O percurso do resíduo, do descarte ao reaproveitamento, conecta Niterói ao trabalho realizado na Mangueira, contribuindo para uma gestão mais sustentável dos resíduos orgânicos.

A estimativa de impacto na água resulta de cálculos que consideram a potencial contaminação causada pelo descarte ilegal de óleo. Ainda que esse número indique a quantidade de água que poderia ser contaminada, não corresponde a uma medição efetiva de água poluída. Os dados referem-se à atuação da coleta feita na universidade, que já atingiu a marca de mais de oito mil litros de óleo reaproveitado, refletindo a abrangência do projeto.

Pesquisadores também monitoram melhorias ambientais na Mangueira, onde a tecnologia é aplicada em estações comunitárias. Estudos realizados este ano apontaram reduções significativas em parâmetros de qualidade da água, como uma diminuição de 65% na Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e de 57% na Demanda Química de Oxigênio (DQO). Além disso, a concentração de coliformes termotolerantes apresentou redução de 61 vezes, demonstrando avanços na qualidade do efluente.

A participação da comunidade na coleta de óleo de cozinha usado é uma oportunidade de contribuir para práticas sustentáveis e melhorias ambientais. A parceria da UFF com o projeto Omìayê busca ampliar a adesão ao programa, oferecendo informações atualizadas e orientações para quem desejar colaborar com a iniciativa.


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