abril 29, 2026
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29/04/2026

Verticalização na Chácara do Céu aumenta risco estrutural e causa preocupação ambiental

Nos últimos anos, a Chácara do Céu, em Alto Leblon, vem passando por um processo de verticalização que tem chamado a atenção de moradores e especialistas na região. As construções mais altas, com pavimentos que chegam a sete andares, tornaram-se visíveis a partir da orla de Ipanema, mudando significativamente a paisagem local.

A expansão vertical ocorre em meio ao restrito espaço físico da comunidade, situada entre a Mata Atlântica e o Parque Natural Municipal Penhasco Dois Irmãos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, em 2022, a favela contava com 591 habitantes distribuídos em 231 residências, em uma área de apenas 0,025 km². A densidade populacional de aproximadamente 23.550 habitantes por km² é consideravelmente superior à média do Rio de Janeiro, que é de 5.174 habitantes por km². O crescimento populacional nas comunidades do município, especialmente nas favelas, tem sido expressivo, superando o aumento da população geral da cidade entre 2000 e 2022.

Imagens captadas por drones e comparação com registros de satélite de 2020 a 2025 mostram que, embora a ocupação territorial não tenha avançado para além da mata, as construções se tornaram mais elevadas e próximas umas das outras. Obras estão em andamento, com resíduos e materiais de construção visíveis nas lajes, o que evidencia o ritmo acelerado do desenvolvimento.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima afirmou que as novas edificações estão fora dos limites do parque, porém prometeu realizar inspeções na área. Essa situação reflete uma tendência de crescimento vertical em comunidades do Rio, especialmente nas regiões mais densas, onde a fiscalização e ações públicas de controle ainda são insuficientes.

Segundo dados do IBGE, oito das dez favelas mais verticalizadas do Brasil estão no território fluminense. A ausência de políticas públicas eficazes tem facilitado esse avanço sem acompanhamento técnico adequado, como aponta a presidente da Associação de Moradores do Leblon. Ela ressalta que a descontinuação do Programa de Orientação Urbanística e Social, em 2018, deixou um vazio na fiscalização e no suporte técnico aos moradores, que tinham suporte para evitar riscos em construções, sobretudo em encostas.

Especialistas alertam para os riscos estruturais das construções não planejadas ou feitas sem projetos adequados. O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio destacou que aumentos não autorizados de pavimentos podem comprometer a estabilidade das edificações, principalmente em áreas de relevo irregular.

A mudança no uso do espaço também é notada com o surgimento de anúncios para locação por temporada, ligados às áreas próximas ao Leblon, sugerindo um novo perfil de ocupação e maior pressão sobre o território local. Especialistas defendem a necessidade de limitar a verticalização em regiões com solo de baixa resistência, para evitar riscos futuros.

A ocupação da Chácara do Céu teve início na década de 1920, quando trabalhadores da companhia Miranda Jordão se estabeleceram na área, inicialmente como parte de um projeto de construção de linha férrea que não se consolidou. Posteriormente, na década de 1970, a comunidade ganhou força com ações de organizações sociais e da Igreja Católica, em um momento marcado por moradias precárias e ausência de infraestrutura básica. Nos anos 1990, intervenções do programa Favela-Bairro trouxeram melhorias urbanísticas, incluindo saneamento, água e acessos, fortalecendo a ligação da comunidade com áreas vizinhas.


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