Favelas cariocas apresentam aumento na verticalização, especialmente na Zona Sul, com construções elevadas próximas às áreas de proteção ambiental. No Morro do Vidigal, por exemplo, uma edificação de sete andares está sendo erguida, enquanto residências em ampliação atingem as copas das árvores. Algumas construções na parte mais elevada da comunidade estão próximas ao limite do Parque Natural Municipal Penhasco Dois Irmãos, localizado no Leblon, que possui cerca de 40 hectares de Mata Atlântica e foi criado na década de 1990. Apesar dos esforços de replantio de mais de 24 mil mudas até 2019, as construções na área mais alta ainda podem ser visualizadas de longe, conforme registros.
A Secretaria Municipal do Ambiente informou, por meio de nota, que as construções próximas às áreas de vegetação não estão dentro dos limites do parque, prometendo realizar uma vistoria no local. A situação lembra casos semelhantes na Chácara do Céu e no Alto do Vidigal, onde edificações têm avançado até os limites de áreas de proteção ambiental, inclusive com construções de vários pavimentos e descarte de entulho nas lajes.
Especialistas apontam que essa expansão vertical decorre da ausência de políticas públicas eficazes para moradia e defendem a inclusão das comunidades no planejamento urbano. O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro destacou que o crescimento das favelas não deve ocorrer de forma horizontal, o que leva à necessidade de construir em altura. Segundo ele, essas edificações podem apresentar riscos de deslizamentos, especialmente em áreas de risco ou com solos instáveis.
Representantes de entidades locais afirmam buscar ações para frear a verticalização irregular. A Associação de Moradores da Chácara do Céu, por exemplo, trabalha junto à prefeitura para conscientizar os moradores sobre os riscos de construções não regulamentadas. Além disso, a Associação de Moradores do Leblon comenta a interrupção do Programa Pouso, que promovia o registro legal de residências, incluindo requisitos de segurança e habitabilidade. A retomada do programa ainda aguarda posicionamento oficial da administração municipal.
Dados do Censo do IBGE indicam que, entre 2000 e 2022, a população da cidade cresceu 6%, enquanto a população de áreas de favelas subiu 23,53%. Este cenário evidencia a necessidade de investimentos contínuos em moradia social e na urbanização de vulnerabilidades, reforçando que as favelas demandam manutenção constante, independentemente de seu crescimento ou reurbanização inicial. Especialistas apontam que ações permanentes do poder público são essenciais para garantir a segurança e a sustentabilidade dessas comunidades.
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