Em comemoração aos 208 anos do Museu Nacional, uma nova exposição intitulada “Rescaldo das Memórias” será aberta neste domingo (21/06), apresentando uma série de obras do artista plástico Vik Muniz. A mostra integra elementos do acervo destruído no incêndio de 2018, incorporando cinzas e resíduos da tragédia para criar 11 fotografias e nove esculturas.
A iniciativa caracteriza-se por releituras de peças afetadas pelo fogo, incluindo itens de Egiptologia, coleções indígenas, fósseis e exemplares de História Natural. As obras foram produzidas com tecnologia de impressão 3D, em colaboração com pesquisadores do Laboratório de Processamento de Imagem Digital da UFRJ. Os modelos digitais originais foram utilizados como base, posteriormente revestidos com resíduos do incêndio, acrescentando uma camada simbólica às composições.
O destaque da exposição é a instalação na Sala das Vigas, o espaço onde iniciou o incêndio, reforçando o simbolismo do evento. Entre as referências presentes estão o crânio de Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas, além de objetos egípcios, como uma múmia de gato e uma estatueta de Menkheperre. Algumas dessas peças, parcialmente recuperadas, permanecem em processos de restauração.
Certos itens que inspiraram as obras originais não foram recuperados após o incêndio, como os fósseis de dinossauro Staurikosaurus pricei e do tigre dente-de-sabre Smilodon populator, utilizados como base para as recriações artísticas. A exposição busca manter viva a memória do acervo afetado e reforçar a importância da preservação cultural.
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