junho 4, 2026
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04/06/2026

Vila Autódromo celebra 10 anos do Museu das Remoções e resistência popular

No final de maio, a Vila Autódromo, em Jacarepaguá, celebrou uma década de resistência e preservação cultural, marcando a passagem do aniversário do Museu das Remoções (MdR). A cerimônia, realizada na comunidade, foi um momento de memória e reafirmação da luta por manter viva a história do território, que quase foi destruído durante as remoções relacionadas às Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

Fundado em 2016, o MdR nasceu em meio ao processo de remoção de mais de 500 famílias na Vila Autódromo, com o propósito de conservar a memória das ações e do impacto social sofrido pelos moradores. Sua criação foi articulada por ativistas locais, com apoio de profissionais ligados à museologia, que montaram uma exposição de esculturas feitas com materiais recolhidos nos escombros deixados pela demolição, sob orientação de uma arquiteta e de estudantes universitários.

Além de sua importância como espaço de memória, o museu conquistou reconhecimento oficial em 2023, quando foi certificado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) como Ponto de Memória. Desde então, a comunidade vem promovendo melhorias na sinalização e na identificação do Museu, reforçando o compromisso com a preservação do território.

A comemoração de 10 anos trouxe uma atmosfera geralmente tranquila e festiva ao local. Participantes, como moradores e visitantes, aproveitaram a ocasião para celebrar com atrações culturais, incluindo shows de rap, blocos de carnaval, oficinas e homenagens, evidenciando o espírito de união que caracteriza a Vila.

Durante o evento, o professor Mário Chagas, especialista em museologia social, ressaltou a relevância do MdR em comparação a outros espaços culturais, destacando que seu objetivo é deixar uma marca de resistência que ultrapassa modismos passageiros, ao contrário do Museu do Amanhã, no centro do Rio, considerado por ele um símbolo de futuro em sua essência.

Os dez anos do Museu das Remoções representam uma etapa de segurança emocional para a comunidade, que continua defendendo sua história e seu espaço de memória. Promovendo ações culturais, educativas e artísticas, o movimento pela permanência se mantém forte, celebrando a resistência e a esperança de continuidade do território.


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