março 26, 2026
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26/03/2026

Violência no Rio prejudica acesso à escola de 190 mil estudantes, aponta estudo

Um levantamento recente revela que a violência armada e a instabilidade no transporte público têm prejudicado o acesso de milhares de estudantes da rede municipal do Rio de Janeiro à escola nos últimos anos. De janeiro de 2023 a julho de 2025, aproximadamente 190 mil alunos tiveram seus trajetos casa-escola interrompidos devido a diferentes fatores relacionados à violência.

O estudo, realizado pelo UNICEF em parceria com o Instituto Fogo Cruzado e a GENI/UFF, aponta que quase todas as escolas municipais – cerca de 95% das 4.008 unidades ativas em 2024 – foram afetadas por pelo menos uma interrupção na circulação de transporte ao redor de seus locais de funcionamento. Os registros indicam 2.228 episódios durante o período, afetando o percurso de estudantes de diversas regiões da cidade.

As interrupções não ocorreram de forma pontual, sendo que a duração média de cada evento foi de sete horas. Em aproximadamente 25% dos registros, o episódio ultrapassou 11 horas. Quando esses incidentes aconteceram durante o turno escolar, o tempo médio de paralisação aumentou para mais de oito horas. Na maioria dos casos, o tempo de bloqueio impactou diretamente os horários de ingresso e retorno às unidades escolares, dificultando a rotina de alunos e suas famílias.

Entre as principais causas das interrupções estão barricadas, ações ou operações policiais, manifestações, ações criminosas no local e tiroteios. Essas ocorrências, embora abrangam diferentes regiões, concentram-se sobretudo em áreas marcadas por desigualdades urbanas e raciais, como Penha, Bangu e Jacarepaguá. Nessas regiões, o número de eventos geradores de paralisações é expressivo e resulta em dezenas de dias de transporte interrompido.

A análise também revela que o impacto da violência é mais evidente em bairros considerados de maior risco. Na atual legislação, cerca de 25,8% das matrículas da rede municipal estão em escolas classificadas como de risco moderado, alto ou muito alto, concentrando a maioria dessas unidades na Zona Norte e na Zona Oeste. Destes estabelecimentos, uma pequena parcela – aproximadamente 120 escolas – enfrenta riscos mais severos, onde as interrupções têm maior frequência e duração.

O estudo reforça que o problema de mobilidade causado pela violência deixa marcas profundas além do deslocamento físico, afetando o acesso à educação, saúde, cultura e lazer de uma parcela significativa da população escolar. As ações propostas buscam estabelecer um monitoramento mais ágil, desenvolver planos de continuidade de mobilidade e fortalecer a articulação entre as áreas de transporte, segurança pública e políticas sociais. A prioridade é implementar medidas preventivas em territórios críticos, envolvendo as comunidades locais e os jovens, para mitigar os efeitos da instabilidade na rotina escolar.


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