março 1, 2026
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01/03/2026

Queda de mais de 1 milhão de matrículas na educação básica do Brasil entre 2024 e 2025

Entre 2024 e 2025, o Brasil apresentou uma redução de mais de um milhão de matrículas na educação básica, passando de 47,08 milhões para 46,01 milhões de estudantes, segundo o Censo Escolar 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Essa queda supera a redução registrada durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, quando a interrupção das atividades presenciais resultou na saída de aproximadamente 600 mil alunos.

A análise inclui estudantes de todas as etapas da educação básica, como creche, pré-escola, ensino fundamental, médio, cursos técnicos, de qualificação profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Entre os fatores que contribuem para o recuo em 2025, destaca-se a significativa diminuição nas matrículas do ensino médio, que atingiu o menor número de estudantes este século, especialmente no estado de São Paulo, onde houve uma redução de quase 252 mil alunos em um ano.

Conforme informações do pesquisador do Inep, essa retração reflete uma queda na população-alvo da educação básica, principalmente nas faixas etárias de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos. Apesar de iniciativas do Ministério da Educação para combater a evasão escolar, as matrículas continuam em declínio e chegaram ao nível mais baixo desde o início do século.

Dados específicos indicam que o segmento público de ensino apresentou uma redução de 6,3%, passando de aproximadamente 6,76 milhões para pouco mais de 6,33 milhões de estudantes. No setor privado, porém, houve discreto crescimento de 0,59%, de cerca de 1 milhão para pouco mais de 1,03 milhão matrículas. Como resultado, o total de matrículas na rede de ensino caiu 5,4%.

No âmbito estadual, São Paulo destaca-se pela maior diminuição no ensino médio, com perda de cerca de 252 mil estudantes em um ano. O restante do país apresentou leves variações, com Amapá, Distrito Federal e Pernambuco registrando pequenas crescentes na quantidade de matrículas.

Desde 2001, o ensino médio apresentou alto nível de crescimento até atingir um pico em 2004, com 9,16 milhões de alunos. Desde então, a tendência é de declínio contínuo, levando o número de estudantes em 2025 ao menor patamar de mais de duas décadas, com a rede pública sofrendo a maior perda. A rede privada manteve-se relativamente estável, com ligeiro aumento nos últimos anos.

Na educação infantil, o número total de matrículas em creche registrou uma pequena diminuição de cinco mil. Contudo, na rede pública, houve aumento no número de matrículas nesse segmento, embora esse crescimento seja menor do que nos anos anteriores. Ainda há um percentual considerável de crianças de 2 a 3 anos que não frequentam creche por falta de vagas, uma proporção estável em torno de 39%, conforme dados do IBGE de 2024.

A oferta de ensino em tempo integral também apresentou crescimento, registrando 923 mil novas matrículas na rede pública em 2025, com destaque para o ensino fundamental e médio, responsáveis por mais de 600 mil dessas admissões. Essa modalidade é considerada uma estratégia importante para melhorar os índices de aprendizagem.

No campo da educação profissional, o país experimentou uma expansão significativa de matrículas. Foram aproximadamente 611 mil novos estudantes nesta modalidade, atingindo cerca de 3,19 milhões em 2025. Apesar desse crescimento, o Brasil ainda está aquém da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação de 4,8 milhões de matrículas até 2024.

O aumento ocorreu principalmente na rede pública, na faixa de 15 a 17 anos, que contempla o ensino médio, refletindo esforços para ampliar o acesso a essa etapa. No modo geral, os dados indicam uma tendência de desaceleração na matrícula geral da educação básica, acompanhada por mudanças nas preferências por modalidades de ensino e o impacto das variações demográficas.


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