abril 18, 2026
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18/04/2026

Levantamento revela insegurança alimentar e double burden de má nutrição em comunidades brasileiras

Um estudo recente realizado pelo Instituto Desiderata revela que mais da metade das residências em comunidades periféricas do Brasil enfrentam algum grau de insegurança alimentar. A pesquisa, que abarrou três áreas específicas — Complexo da Maré, Caramujo (Rio de Janeiro) e Coque (Pernambuco) — aponta que 60,7% desses domicílios vivem nessa condição.

O levantamento evidencia uma condição denominada “dupla carga da má nutrição”, na qual há coexistência de altos índices de excesso de peso infantil e de fome. Dados indicam que cerca de 34,7% das crianças de 5 a 10 anos apresentam sobrepeso, sugerindo que a má alimentação não se limita à insuficiência de comida, mas também à baixa qualidade nutricional do que é consumido.

A pesquisa também evidencia barreiras econômicas que influenciam as escolhas alimentares das famílias. Aproximadamente 43% dos moradores consideram os alimentos orgânicos e in natura inacessíveis financeiramente. Como consequência, produtos ultraprocessados dominam as cozinhas dessas regiões, devido ao baixo custo e à facilidade de aquisição em supermercados.

O estudo revela ainda um perfil social específico para o público dessas comunidades, com destaque para a responsabilidade sobre a alimentação recaindo principalmente sobre mulheres negras. Além disso, as frequentes operações policiais nas áreas dificultam o funcionamento de escolas, impactando o acesso de milhares de crianças às refeições escolares. O cenário atual aponta para a necessidade de ações que enfrentem esses obstáculos e promovam melhorias na segurança alimentar dessas populações.


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