O descarte de dispositivos eletrônicos no Brasil revela uma significativa quantidade de metais preciosos, especialmente ouro, presente em componentes internos de aparelhos descartados. Apesar de pequenas em cada unidade, essas quantidades, quando somadas, movimentam bilhões de dólares no mercado global.
A presença do ouro nos eletrônicos decorre de suas propriedades físicas, como excelente condutividade elétrica e resistência à corrosão ao longo do tempo. Fabricantes de destaque, incluindo Apple e Samsung, aplicam camadas finas do metal em conectores e placas de circuitos, garantindo maior durabilidade ao funcionamento dos dispositivos e a estabilidade do sinal elétrico durante anos de uso contínuo.
Estimativas indicam que um smartphone comum possui aproximadamente 34 miligramas de ouro puro. Ainda que essa quantidade pareça mínima, a produção anual de milhões de aparelhos no país resulta num volume expressivo desse metal, essencial para a tecnologia moderna. Os componentes que utilizam ouro incluem contatos de baterias protegidos contra oxidação, fios microscópicos internos de processadores, pinos de conexão de cartões SIM e memória, além de trilhas de circuitos impressos.
O valor do ouro influencia diretamente o custo de fabricação de celulares, com o mercado internacional de commodities refletindo as flutuações no preço do grama do metal. Essas variações impactam tanto as margens de lucro quanto a logística de fornecimento das indústrias.
No Brasil, a reciclagem de eletrônicos descartados revela potencial para recuperação de metais preciosos, como ouro e prata. Estima-se que uma tonelada de resíduos eletrônicos contenha cerca de 350 gramas de ouro, além de outros metais industriais essenciais. Esses resíduos também apresentam uma alternativa mais sustentável frente à mineração, pois a recuperação por processos químicos em instalações especializadas oferece maior eficiência e menor impacto ambiental.
A extração de ouro de componentes eletrônicos, entretanto, exige procedimentos químicos complexos, envolvendo ácidos altamente corrosivos que representam riscos à saúde se utilizados de forma inadequada. Por isso, a realização dessa atividade deve ser feita por profissionais treinados em laboratórios adequados, garantindo segurança e proteção do meio ambiente. Em casa, atividades desse tipo representam perigo, uma vez que a manipulação incorreta pode causar danos à saúde.
O descarte responsável de eletrônicos é fundamental para evitar a contaminação do solo por metais pesados como chumbo e mercúrio. A adoção de programas de logística reversa, promovidos por fabricantes ou pontos de coleta, assegura que os materiais valiosos retornem ao ciclo produtivo, contribuindo para a preservação do meio ambiente. A participação contínua nesses processos é uma responsabilidade de consumidores e empresas, essenciais para promover a sustentabilidade e a economia circular.
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