O mercado de provedores de serviços gerenciados de TI (MSPs) no Rio de Janeiro vive uma fase de rápida expansão, impulsionada pela digitalização acelerada das pequenas e médias empresas (PMEs) e pela necessidade crescente de proteção contra ameaças cibernéticas e falhas operacionais. Segundo levantamento da ADDEE, especializada em soluções de gestão e segurança para esse setor, o número de MSPs na região cresceu 86% nos últimos cinco anos.
Esse crescimento reflete uma mudança na abordagem das empresas locais em relação à tecnologia. Antes dependentes de suporte reativo, muitas organizações passaram a adotar estratégias preventivas, incluindo monitoramento contínuo, manutenção proativa, backups, gestão de ativos e medidas de segurança digital. Assim, os MSPs deixam de ser meros fornecedores pontuais para se tornarem parceiros estratégicos no funcionamento dos negócios.
De acordo com o CEO da ADDEE, Rodrigo Gazola, o avanço acompanha a transformação do perfil das PMEs, que passaram a enxergar a TI como um ativo fundamental para manter suas operações em ambientes cada vez mais digitais e vulneráveis. A presença de um ecossistema diversificado de setores no Rio — como comércio, serviços, saúde, turismo, educação, logística, além de segmentos ligados ao petróleo, gás e energia — reforça a importância do setor de tecnologia na região.
Nos últimos anos, essas empresas adotaram soluções de nuvem, sistemas de gestão e plataformas de pagamento digital, muitas vezes sem uma estrutura adequada de segurança. Essa vulnerabilidade aumentou a superfície de ataque e elevou a dependência de prestadores especializados. Dados do relatório anual da N-able indicam que as pequenas e médias empresas se tornaram o principal foco do cibercrime global, com crescimento exponencial na quantidade de ameaças detectadas, incluindo ransomware e extorsões.
O cenário faz com que os MSPs desempenhem papel crucial na proteção dessas operações, especialmente em setores sensíveis, como saúde, turismo, logística e serviços, onde uma falha ou ataque podem ter consequências graves. Estudos da ADDEE revelam também que o setor de MSPs no Brasil evoluiu no aspecto organizacional, com maior profissionalização: enquanto, em 2019, 19% das empresas tinham apenas um colaborador, em 2024 esse número caiu para 10%, e a maioria já conta com grupos de até nove ou mais de 10 funcionários.
O potencial econômico do segmento é expressivo. A expectativa é de que, se todas as empresas no Brasil utilizassem MSPs para gerenciar seus dispositivos digitais, o setor poderia movimentar mais de R$ 183 bilhões anualmente.
Em incentivo à evolução do setor, o Rio de Janeiro sediará, em 19 de março, o MSP Summit Roadshow, evento gratuito que reunirá profissionais, empresários e especialistas de todo o país. A programação abordará temas como estratégias de proteção digital, monitoramento contínuo, segurança de redes e dados, além de questões de eficiência operacional e crescimento sustentável para provedores de serviços gerenciados.
A realização no Rio reforça a importância do estado na inovação tecnológica brasileira e evidencia como a transformação digital das PMEs tem impulsionado uma maior profissionalização da atividade de MSPs. Conforme a conectividade e a dependência por dados aumentam, esses provedores assumem papel estratégico na competitividade e na resiliência dos negócios locais.
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