O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi liberado nesta sexta-feira (13) após passar cerca de um dia na prisão, resultante de uma operação que o vinculou a uma investigação envolvendo organizações criminosas. A decisão de soltura foi tomada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que considerou a manutenção da prisão ilegal devido à insuficiência de provas contra o parlamentar.
A prisão temporária foi revogada pelo desembargador Marcus Henrique Basílio, que destacou fragilidade nas evidências utilizadas para estabelecer o envolvimento de Salvino Oliveira com a organização investigada. A medida permitiu que o vereador retorne às suas atividades normais, embora ainda esteja sob investigação e sujeito a restrições, como impedimento de deixar o estado por mais de 15 dias sem autorização judicial e de manter contato com outros investigados.
Ao deixar o presídio, Salvino declarou que constitui uma vitória da Justiça e afirmou que foi vítima de uma injustiça. Ele também manifestou intenção de solicitar esclarecimentos às autoridades responsáveis pela condução da investigação, alegando que há elementos insuficientes que justificassem sua prisão. A defesa reforçou a posição de que as provas apresentadas até o momento não são capazes de estabelecer uma ligação consistente entre o vereador e a organização criminosa.
A decisão judicial também criticou o material usado na acusação, apontando que uma conversa atribuída ao parlamentar, registrada há mais de um ano, não demonstra envolvimento direto com os ilícitos investigados. Além disso, a defesa questionou a existência de um suposto Relatório de Inteligência Financeira, alegando que tal documento não faz parte do processo, o que vulnera direitos de defesa. Quanto às movimentações financeiras atribuídas a Salvino Oliveira, seus advogados classificaram as alegações como infundadas e exageradas.
A investigação policial revelou movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo saques em espécie que somaram aproximadamente R$ 2,49 milhões, além de operações que totalizaram mais de R$ 35 milhões envolvendo empresas ligadas ao grupo controlado pelos investigados. A polícia também apontou indícios de tentativas de influência política em áreas sob controle do tráfico de drogas, incluindo uma suposta comunicação por WhatsApp envolvendo pessoas relacionadas aos criminosos, na qual há menções a autorizações para a atuação política do vereador na região da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio. No entanto, o próprio relatório não aponta diálogo direto entre Salvino e os suspeitos ligados ao tráfico.
O caso provocou forte repercussão política, intensificando o embate entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o governador Cláudio Castro (PL). O governador associou o parlamentar ao Comando Vermelho, enquanto o prefeito defendeu Salvino Oliveira e criticou o uso político das ações de segurança por parte do governo estadual. A controvérsia também gerou manifestações na Câmara Municipal, onde o presidente, Carlo Caiado (PSD), questionou a forma como a prisão foi conduzida e destacou que práticas partidárias relacionadas a melhorias em favelas não representam indícios de irregularidade ou ligação com organizações criminosas.
A situação atual reserva a continuidade da investigação, na qual Salvino Oliveira responderá em liberdade. O ambiente político permanece conturbado, com disputas públicas entre diferentes esferas de poder e debates acalorados acerca das ações e denúncias relacionadas ao caso.
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