Dormir é uma necessidade vital para o organismo, porém, ainda cercada de mitos e questionamentos. Estima-se que aproximadamente 40% da população mundial sofra de algum tipo de transtorno relacionado ao sono, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A ciência evidencia que o sono noturno é uma fase de processos complexos, essenciais para a saúde física e mental. Durante o repouso, o cérebro realiza atividades de reorganização e manutenção que influenciam funções cognitivas e emocionais, indo além de uma simples pausa nas atividades diárias.
Segundo o neurocirurgião Marcelo Valadares, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas, o sono não se limita ao desligamento do cérebro. Ele é um período de alta atividade cerebral, crucial para o equilíbrio do corpo. O ciclo sono-vigília, regulado por mecanismos neuroquímicos e neurais, determina o momento do sono, sua duração e a recuperação ao longo da noite.
Entre os fatores envolvidos nesse controle está a adenosina, molécula que acumula-se durante o dia, aumentando a sensação de fadiga. Quando o indivíduo dorme, seus níveis naturalmente reduzem, permitindo que o organismo retome o estado de alerta. O sono também apresenta diferentes fases: o sono de ondas lentas, caracterizado por intensa reorganização neural, e o sono REM, onde ocorrem sonhos vívidos e há maior ativação de regiões associadas à memória e às emoções. Essa alternância de fases é fundamental para consolidar experiências e informações adquiridas durante o dia.
A necessidade de horas de sono varia com a idade. Crianças e adolescentes, por exemplo, precisam de mais horas de descanso para seu desenvolvimento cerebral. Nos idosos, o padrão de sono costuma se tornar mais fragmentado devido a alterações no ritmo circadiano. A qualidade do sono impacta diretamente a saúde física e mental, e a privação prolongada pode prejudicar o desempenho cognitivo e a saúde geral. Estudos indicam que tanto dormir pouco quanto excessivamente podem aumentar o risco de mortalidade. A recomendação geral para adultos é manter uma rotina de sete a oito horas de sono por noite, para preservar o bem-estar.
Distúrbios do sono também têm efeitos na saúde mental, com a privação contínua associada a maior incidência de depressão, ansiedade e alterações de humor. Além disso, noites mal dormidas podem interferir na produção de neurotransmissores ligados ao bem-estar.
No contexto de rotinas cada vez mais aceleradas e uso excessivo de telas, manter bons hábitos de sono é um desafio comum. Especialistas destacam alguns pontos relevantes: dormir um pouco a mais nos fins de semana não compensa totalmente os efeitos da privação durante a semana; cochilos rápidos, de até 30 minutos, podem melhorar atenção, mas sessões mais longas ou no final do tarde podem prejudicar o sono noturno; manter horários regulares auxilia na regulação do ciclo circadiano. Por outro lado, o ronco frequente, embora comum, pode indicar problemas como apneia do sono, uma condição que representa riscos à saúde cardiovascular.
Valadares reforça a importância de procurar avaliação médica caso haja dificuldade frequente de dormir, despertar cansado ou roncos intensos. Trata-se de passos essenciais para prevenir impactos negativos na saúde, que podem se estender ao longo do tempo se não tratados.
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