março 19, 2026
março 19, 2026
19/03/2026

Eduardo Paes intensifica críticas à segurança de Cláudio Castro em pré-campanha ao governo do Rio

Na reta final da pré-campanha ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes intensificou a postura de confronto contra o atual governador, Cláudio Castro. Vinculando sua estratégia ao tema da segurança pública, o prefeito adotou discursos mais contundentes, direcionados ao eleitorado conservador e preocupado com o controle do crime.

Nos últimos dias, Paes criticou ações do governo estadual, defendendo uma abordagem mais dura na ocupação de áreas sob domínio do crime. Em declarações públicas, afirmou que, se necessário, operações que neutralizem criminosos adicionais devem ser realizadas para restabelecer a ordem em territórios considerados críticos, como o Complexo do Alemão. Essa postura elevou o tom do debate político sobre segurança no estado.

Na sequência, o prefeito voltou-se novamente contra o governo estadual, ao comentar a operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, que resultou na morte de oito pessoas, incluindo um traficante conhecido e um morador. Paes questionou a retomada do território pelo crime e solicitou esclarecimentos sobre as estratégias adotadas por Cláudio Castro na área de segurança pública.

A controvérsia também envolveu a mudança na base policial do Morro dos Prazeres, que, segundo o governo, ocorreu dentro do processo de reestruturação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), com transferência administrativa e operacional, além do início de patrulhamento sistemático na região, por meio do modelo denominado “corredor de segurança”. A medida havia sido anunciada oficialmente pelo governo estadual em 2024.

A disputa entre os atores políticos evidencia uma tentativa de Paes de transformar a questão da segurança no principal campo de confronto com Castro. O prefeito aponta a ausência de comando, planejamento e políticas eficientes por parte do governo estadual, ao mesmo tempo que busca se distanciar do discurso de fraqueza, adotando uma postura mais agressiva no enfrentamento ao crime. Sua estratégia também visa conquistar o eleitorado que valoriza autoridade e ordem, fatores considerados essenciais para a disputa eleitoral que se aproxima, com a eleição marcada para outubro.

Este cenário de confronto é marcado por tensões recentes entre os grupos políticos. Destacou-se a prisão do vereador Salvino Oliveira, aliado de Paes, em operação policial, que se transformou em uma controvérsia política, levando o PSD fluminense a denunciar possíveis abusos por parte de Castro e do secretário Felipe Curi, além de apresentar representação ao Superior Tribunal de Justiça e à Procuradoria-Geral da República.

O governo estadual respondeu alegando que a investigação seguiu critérios técnicos, envolvendo Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário, e manifestou estranheza quanto à politização da operação, defendendo sua autonomia.

Paralelamente à agenda de segurança, Paes mostrara intenções de ampliar sua base eleitoral junto ao público cristão e de reforçar sua presença no centro e na direita. Sua estratégia combina discurso de firmeza contra a criminalidade, simbologia religiosa e críticas ao governo de Castro, buscando afirmar-se como uma alternativa de liderança baseada em valores de autoridade e controle territorial.

Por fim, a movimentação indica que Eduardo Paes busca não apenas contrastar seu projeto com o atual governo, mas também construir uma imagem de gestão desestruturada e insegura de Cláudio Castro. Com a eleição de outubro no horizonte, o prefeito decidiu acelerar o ritmo de sua campanha, entrando com força na disputa de valores e liderança.


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