março 20, 2026
março 20, 2026
20/03/2026

TRE-RJ implementa medidas para combater influência do crime organizado nas eleições de 2026

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) adotou um conjunto de ações para impedir a influência do crime organizado nas próximas eleições estaduais, marcadas para 2026. Entre as medidas, estão a transferência de locais de votação em regiões sob domínio de grupos criminosos e o uso de informações de inteligência para identificar candidaturas suspeitas de ligação com organizações ilícitas.

Essas ações fazem parte do plano do Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, criado com o objetivo de evitar a eleição de representantes ligados a milícias, tráfico de drogas e organizações narcomilicianas. A iniciativa foi aprovada em reunião com representantes das áreas de inteligência do Ministério Público Federal e de outras instituições de segurança, nesta quinta-feira (19).

O grupo reúne membros da Procuradoria Regional Eleitoral, além de policiais federais, civis, militares e rodoviários, além do Comando Militar do Leste, secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária. A estratégia visa a integração de informações e a coordenação de ações para coibir a infiltração de grupos criminosos na política estadual, especialmente em regiões controladas por essas organizações, onde há risco de manipulação de votos ou constrangimento de eleitores.

Segundo o presidente do tribunal, o Rio de Janeiro exige uma abordagem específica. Ele destacou que as eleições não podem permitir que o crime organizado estabeleça domínio político ou influencie a formulação de políticas públicas.

Uma das ações previstas é a identificação e substituição de seções eleitorais localizadas em áreas de domínio de facções criminosas. O objetivo é garantir o direito do eleitor de votar sem pressões ou ameaças, uma preocupação recorrente em regiões onde operações de milícias ou tráfico têm forte presença. Essa iniciativa já foi implantada de forma pontual nas eleições municipais de 2024 e visa ampliar sua aplicação.

Outra linha da estratégia envolve o uso de dados de inteligência e informações de força policial para detectar candidatos com possíveis vínculos com o crime organizado. Essas informações serão consolidadas em relatórios enviados à Procuradoria Regional Eleitoral, que poderá solicitar o indeferimento do registro de candidatura ao TRE-RJ. A medida busca evitar que políticos ligados a organizações criminosas concorram a cargos eletivos, uma tendência observada nos últimos anos.

A criação desse grupo de trabalho ocorre em meio a uma série de casos que revelam a relação entre grupos criminosos e políticos no estado. Entre os episódios mais relevantes estão a prisão de ex-vereador e de seu irmão, ligados a uma milícia na Zona Oeste em 2007; a morte de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope envolvido em esquemas políticos, em 2020; e, mais recentemente, a prisão de deputados vinculados ao crime organizado em 2025.

Investigações atuais também identificam suspeitas de envolvimento de políticos com tráfico, milícias e outras atividades ilegais, muitas vezes em regiões onde há forte controle territorial por facções e paramilitares. Nesses locais, fiscais eleitorais enfrentam dificuldades de acesso para verificar denúncias ou fiscalizar a realização de obras públicas fora do período permitido, além de ameaças feitas por grupos paramilitares caso seus candidatos não sejam eleitos.

As autoridades e especialistas alertam que o avanço do crime organizado na política fluminense está diretamente ligado ao domínio territorial exercido por facções e milícias, que influenciam o comportamento eleitoral e o funcionamento do poder público. As medidas do TRE-RJ representam uma tentativa de atuação preventiva, buscando impedir a consolidação de candidaturas criminosas ainda na fase inicial, e podem servir de referência para outros estados.


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