A Justiça do Rio de Janeiro condenou três policiais militares por envolvimento em fraude processual relacionada à morte de Kathlen Romeu. A decisão, proferida pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça local, responsabiliza os agentes por adulterações ocorridas no local do disparo em 2021.
Os policiais Rafael Chaves de Oliveira, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano receberam penas de dois anos e quinze dias de reclusão em regime aberto, além de uma multa diária. A sentença prevê ainda a suspensão da pena por três anos, durante os quais os condenados deverão cumprir condições determinadas pela Vara de Execuções Penais.
A decisão seguiu o voto do relator, desembargador Marcelo Anátocles, que reformou o veredicto da Auditoria da Justiça Militar, que anteriormente havia absolvido os policiais em agosto de 2025. Segundo o magistrado, houve comprovação de manipulação no local do crime. Ele apontou que os agentes atuaram de forma coordenada para remover vestígios antes da chegada da perícia, facilitando a apresentação de cartuchos de munição falsificados por Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano.
O relator destacou ainda que as versões apresentadas pelos policiais não resistem às provas coletadas durante o processo. O desembargador ressaltou que não há evidências de confronto armado suficientemente relevantes para justificar os vestígios encontrados e afirmou que a retirada de provas foi feita com o objetivo de inserir material falsificado no procedimento.
Kathlen Romeu faleceu em 8 de junho de 2021, após ser atingida por disparos durante uma operação policial no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio. Ela tinha 24 anos, trabalhava como designer de interiores e modelo, além de estar grávida de 14 semanas. A jovem havia deixado a região meses antes por medo da violência, mas retornou no dia do crime para visitar a avó.
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