março 28, 2026
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28/03/2026

Dados do IBGE revelam aumento na frequência do bullying entre adolescentes brasileiros

Pesquisas atualizadas indicam que cerca de 40% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já foram vítimas de bullying, com um aumento na frequência desses episódios. O levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma elevação na persistência das agressões no ambiente escolar, além de apontar fatores associados às motivações das ações.

Segundo os dados, 39,8% dos adolescentes afirmaram ter sido alvo de algum tipo de bullying, enquanto 27,2%, ou seja, mais de um quarto, relataram sofrimentos frequentes, com duas ou mais ocorrências. Em comparação com o levantamento de 2019, houve crescimento na reincidência, indicando uma intensificação na regularidade das agressões, apesar de o número total de vítimas se manter próximo ao registrado anteriormente.

O estudo aponta que o bullying deixou de ser um acontecimento isolado para se configurar como um comportamento recorrente. Especialistas associam essa mudança ao aumento na intensidade e na repetição das agressões, refletindo uma evolução na natureza do problema. O principal motivo apontado pelas vítimas é a aparência física, com destaque para o rosto, cabelo e corpo. Ainda assim, 26,3% dos estudantes disseram não compreender a razão das agressões, o que evidencia a característica muitas vezes injustificada e coletiva dessas ações.

As meninas apresentam maior vulnerabilidade, com 43,3% já tendo sido vítimas, enquanto entre os meninos a incidência é de 37,3%. Além disso, quase 30% das adolescentes relataram humilhações repetidas, valor superior ao registrado entre os meninos. Quanto à prática de bullying, 13,7% dos estudantes admitiram já terem sido autores, sendo mais comum entre os meninos (16,5%) do que entre as meninas (10,9%). Entre os motivos citados pelos agressores estão aparência física, cor, raça, além de fatores relacionados ao gênero ou orientação sexual, deficiência e outros aspectos pessoais.

O estudo também revela que 16,6% dos jovens já sofreram agressões físicas por colegas, uma alta registrada em comparação ao dado de 2019 (14%). O bullying na internet, por sua vez, apresentou uma ligeira redução, de 13,2% para 12,7%, embora meninas continuem sendo mais afetadas nesse ambiente digital.

Outro aspecto preocupante é a baixa adesão às ações de prevenção nas escolas, com apenas 53,4% participando do Programa Saúde na Escola. Além disso, menos da metade das instituições realiza atividades específicas contra o violência e a bullying. Esses números reforçam a necessidade de estratégias mais eficazes para combater o problema, que tem forte impacto na saúde mental dos adolescentes, demandando atenção contínua de escola, famílias e órgãos responsáveis.


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