abril 11, 2026
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11/04/2026

Ex-policial militar é condenado a mais de nove anos por homicídio tripla-qualificada de contraventor no Rio

O primeiro Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou Rodrigo da Silva das Neves, ex-policial militar, a pouco mais de nove meses de prisão, pelo assassinato de Fernando Iggnácio, conhecido contraventor. A decisão considerou o crime como homicídio triplicamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e emboscada, determinando o cumprimento da pena em regime fechado.

O crime ocorreu em 2020, no estacionamento de um heliponto localizado no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste da cidade. Fernando Iggnácio foi executado após retornar de sua residência de praia em Angra dos Reis, na Costa Verde. Durante o julgamento, o juiz Thiago Portes Vieira de Souza destacou a participação de Rodrigo na emboscada e na execução do homicídio, citando o arsenal apreendido no apartamento do réu, que incluía quatro fuzis, carregadores e uma grande quantidade de munições. O magistrado também ressaltou que, na época do crime, o réu era policial militar em atividade, mas optou por agir contra o Estado usando seus conhecimentos policiais.

No julgamento, outros dois suspeitos — irmãos Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro — mencionados como participes na ação, inicialmente decidiram não ser assistidos por advogados, o que resultará em uma nova fase do processo para julgamento de ambos. Um terceiro suspeito, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, que também era considerado envolvido na execução, foi encontrado morto em 2022. Ainda segundo as investigações, o mandante do crime, Rogério de Andrade, enfrenta outro processo judicial junto a Gilmar Eneas Lisboa.

A motivação do assassinato estaria relacionada a disputas pelo controle do espólio de Castor de Andrade, considerado uma das maiores figuras do jogo do bicho. Fernando Iggnácio era genro de Castor e teria sido vítima de uma retaliação executada a mando de Rogério de Andrade, sobrinho de Castor. Este, por sua vez, estaria envolvido na morte de Paulinho de Andrade, filho de Castor e responsável pelo controle dos pontos de jogo herança de seu pai. Paulinho foi assassinado em 2020, ao deixar seu escritório na Barra da Tijuca, após contestar a redução do controle do seu patrimônio, o que alimentou uma guerra brutal envolvendo centenas de mortes por quase três décadas. As tensões familiares e relacionadas ao controle econômico continuam a balizar investigações e desdobramentos na esfera judicial.


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