O Instituto Nacional de Câncer (Inca) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão elaborando um documento técnico que estabelece orientações para pesquisas científicas sobre dispositivos eletrônicos utilizados para fumar, conhecidos popularmente como vapes. Essa iniciativa busca criar um padrão para estudos que avaliem os efeitos dos cigarros eletrônicos e vaporizadores no cenário brasileiro.
A elaboração do documento conta com a participação de diversas instituições de pesquisa, além da assinatura de Roberto Gil, diretor-geral do Inca, e Patricia Canto, vice-presidente adjunta de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz. A proposta também foi apoiada por acadêmicos e representantes de universidades de diferentes regiões do país, buscando consolidar um entendimento científico unificado sobre o tema.
As diretrizes foram definidas durante o seminário realizado no Rio de Janeiro, nos dias 14 e 15 de março, intitulado “Construindo uma Agenda de Pesquisa Prioritária sobre Dispositivos Eletrônicos para Fumar para o Brasil”. O encontro promoveu debates sobre estratégias de monitoramento e investigação dos efeitos dos dispositivos.
Para fundamentar as recomendações, os especialistas consideraram uma revisão bibliográfica que mapeou estudos publicados entre 2019 e março de 2025. A análise identificou 59 trabalhos científicos nacionais relacionados às consequências do uso de vaporizadores e cigarros eletrônicos, oferecendo um panorama da produção científica brasileira nesse período.
As pesquisas analisadas abordam diversos aspectos, incluindo impactos fisiológicos à saúde, indicadores epidemiológicos de uso e experimentação, além da avaliação das políticas públicas existentes e dos desafios regulatórios enfrentados pelas autoridades sanitárias no Brasil.
De acordo com Roberto Gil, o seminário representou um passo importante para identificar lacunas no conhecimento e determinar prioridades futuras. Ele destacou a necessidade de fortalecer a base científica para orientar as políticas públicas e ampliar a capacidade do país de responder às ameaças à saúde relacionadas ao aumento do uso desses dispositivos, especialmente entre as novas gerações.
A coordenadora substituta do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde, Ana Paula Natividade, reforça que a sistematização do conhecimento atual é fundamental para embasar futuras ações de saúde pública. Ela destaca a rápida evolução dos produtos e a resposta necessária frente às estratégias da indústria do tabaco para garantir intervenções eficazes.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



