Empresas vinculadas ao deputado Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, realizaram aquisições de precatórios relacionados a duas pessoas com históricos distintos. As operações envolveram a Saur Construção, Terraplanagem e Locação Ltda, na qual o parlamentar detém 90% das participações, e a empresa Mical Invest e Participações, controlada por Mariana Barbosa, esposa de Ruas. As transações foram reveladas por uma reportagem publicada nesta terça-feira e posteriormente repercutida na imprensa.
Segundo o divulgado, a Saur, que realiza investimentos em precatórios, afirma que as decisões de compra não são tomadas pelo próprio deputado, mas pela equipe técnica responsável pela administração da carteira, com as aquisições intermediadas por um escritório especializado no tema. Um dos títulos adquiridos é de uma mulher de 75 anos que recebeu indenização por torturas praticadas durante a ditadura militar, com decisão judicial que aponta sua prisão três vezes ao longo do regime, incluindo uma tortura sofrida aos 14 anos, em 1972. O precatório em seu nome tinha valor de aproximadamente R$ 917 mil, embora não seja informado o montante efetivamente investido.
Outro precatório comprado pela Mical Invest foi de um ex-policial civil, Carlos Antônio Torres, demitido em 2018 após investigação por suposta propina. Torres entrou na Justiça buscando pagamento de férias e licença-prêmio não usufruídas entre 1983 e 2015; a Procuradoria-Geral do Estado contestou os valores, por considerados imorais. Ainda assim, o Tribunal de Justiça determinou o pagamento de dois precatórios, de valores superiores a R$ 300 mil cada, posteriormente adquiridos pelas empresas ligadas à esposa de Ruas.
Até o momento, as operações tiveram a mediação de um escritório especializado em negociar precatórios, atuando tanto na busca por vendedores quanto na aproximação de investidores interessados em receber o valor integral futuro desses títulos. A reportagem reforça que tais transações ocorrem no mercado de precatórios, caracterizado por negociações a preços abaixo do valor de face, dada a demora no recebimento.
Douglas Ruas declarou, em nota oficial, que não participa diretamente das decisões de investimento da empresa e que as aquisições seguem a gestão técnica responsável pela carteira. A situação aumenta a atenção política sobre o deputado, que é considerado pré-candidato ao governo do estado.
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