maio 12, 2026
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12/05/2026

Comissão na Alerj discute impactos da crise climática e vulnerabilidade em favelas do Rio

Nesta semana, a Comissão Especial de Favelas e Periferias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro promoveu um debate sobre os efeitos das mudanças climáticas nas áreas periféricas do território fluminense. A reunião contou com a análise de dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que indica que, entre 2000 e 2018, a Região Metropolitana do Rio apresentou o segundo maior número de óbitos registrados em função de ondas de calor no país, afetando sobretudo a população preta, parda e de baixa renda nesses locais. O colegiado sinalizou que discutirá ações de enfrentamento à crise climática junto às autoridades estaduais.

A deputada Renata Souza, presidente da comissão, destacou a necessidade de aprimorar o planejamento e aumentar os investimentos públicos para evitar desastres ambientais. Segundo ela, o problema não é natural, mas resultado da negligência do poder público. Ela enfatizou que as populações das periferias são as mais vulneráveis devido à deficiência de infraestrutura, ações preventivas e políticas ambientais eficazes.

Dados apresentados na audiência reforçam o impacto da mudança do clima nos bairros mais pobres do estado, onde vivem cerca de 2,1 milhões de pessoas distribuídas por 1.724 comunidades. Segundo informações da ONG Redes da Maré, eventos climáticos extremos têm agravado problemas de saúde, causado a destruição de moradias e provocado mortes nessas áreas. Foram mencionadas, ainda, as fortes chuvas de março de 2026, que resultaram em mais de 200 atendimentos emergenciais na região metropolitana, especialmente na Baixada Fluminense, onde mais de 70% dos moradores são negros, de acordo com dados do IBGE de 2022.

Especialistas coordenados pelo Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz ressaltaram a necessidade de ampliar ações de prevenção e investimento em infraestrutura para reduzir a vulnerabilidade dessas comunidades. O pesquisador Pedro Aranha alertou que os primeiros meses de 2026 apontam para um agravamento das condições climáticas extremas, com previsão de ondas de calor mais intensas, além de risco aumentado de enchentes e deslizamentos. Ele reforçou a urgência em estruturar as cidades e implementar políticas de adaptação que protejam a população mais exposta.

A subsecretária estadual de Mudanças do Clima e Conservação da Biodiversidade, Marie Ikemoto, destacou o diálogo entre diferentes setores como crucial para os avanços na área. Ela afirmou que o governo tem fortalecido as políticas de adaptação climática e apoiado os municípios na implementação dessas ações, reforçando a importância de incluir as comunidades mais afetadas no planejamento e na execução de medidas que promovam a resiliência diante das mudanças ambientais.


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