Na última terça-feira (12/05), a Comissão Especial da Câmara do Rio responsável pelo planejamento do carnaval de rua realizou uma audiência pública no Salão Nobre do Palácio Pedro Ernesto. O encontro reuniu parlamentares, representantes do poder público, organizadores de blocos e membros da sociedade civil para debater melhorias na estrutura do evento.
A presidente da comissão, vereadora Tatiana Roque (PSB), apresentu a proposta de estabelecer uma legislação que garanta a continuidade do carnaval de rua de forma regular. Segundo ela, a dependência de ações pontuais a cada mandato impede a consolidação de uma política de estado para a festa. Roque destacou, ainda, os desafios decorrentes do crescimento das festividades, citando blocos tradicionais como Carmelitas e Laranjada, que não participaram do evento de 2026 devido a problemas relacionados à superlotação.
A discussão também contou com a contribuição da deputada estadual Verônica Lima (PT), presidente da Comissão de Cultura da Alerj, que reforçou a necessidade de regras mais claras para a organização do carnaval. Para ela, apesar dos avanços, ainda há espaço para melhorias frente ao aumento do número de blocos e participantes ao longo dos anos.
O relator da comissão, vereador Salvino Oliveira (PSD), afirmou que os tramites da audiência devem resultar em ações concretas para aprimorar a experiência de foliões e blocos, reforçando a importância de garantir maior segurança e qualidade às festividades.
Segundo dados divulgados, o carnaval de 2026 movimentou aproximadamente R$ 5,9 bilhões e recebeu cerca de 1,8 milhão de turistas. O subsecretário de Desenvolvimento Econômico do município, Marcel Balassiano, afirmou que a festa tem grande impacto econômico na cidade, destacando o seu papel no desenvolvimento financeiro local.
Rita Fernandes, representante da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio, destacou a importância de que os blocos também recebam retorno financeiro pelos recursos gerados, por meio de investimentos específicos nos desfiles. Flavio Teixeira, diretor de operações da Riotur, revelou que a entidade está revisando o caderno de encargos que orienta os patrocinadores do evento, visando à regulamentação dos investimentos e à garantia de recursos para os blocos.
A vereadora Monica Benicio (PSOL) sugeriu a revisão e maior transparência na distribuição de recursos e patrocínios, além de reforçar a necessidade de oferecer suporte aos trabalhadores ambulantes, fundamentais para a festa. Ela ressaltou que a proteção a essa categoria é essencial para a realização de um carnaval mais democrático e seguro.
Representantes do Corpo de Bombeiros detalharam o procedimento para a regularização dos blocos, enfatizando a importância da entrega de documentos técnicos para a liberação dos desfiles. Isabela Dantas, ligada às diretorias de blocos Coreto e Nova Liga, solicitou prazos mais extensos para que os blocos possam cumprir as exigências documentais, apontando que a urgência na entrega prejudica a organização. O bombeiro Marcos Antonio informou que o Corpo de Bombeiros trabalha na digitalização do sistema de requerimentos, embora o processo de implementação ainda demande tempo.
A segurança também foi tema de debate, com o professor Victor Belart (Uerj) alertando que a falta de proteção efetiva, especialmente à noite, tem impactado o movimento de ambulantes e a participação do público. Dayane Nunes, representando a vereadora Tainá de Paula (PT), destacou a importância da sustentabilidade, lembrando que, no ano anterior, 26 toneladas de lixo foram recolhidas com apoio de catadores. Ela defendeu que o desenvolvimento do evento deve estar alinhado com políticas ambientais e de gestão de resíduos.
A audiência contou ainda com a participação do tenente-coronel Flavio Elias, do major Fábio Gonçalves e do presidente do bloco Cordão da Bola Preta, Pedro Ernesto. O debate segue em andamento, com a expectativa de que sejam implementadas melhorias nas próximas edições do carnaval de rua na cidade do Rio de Janeiro.
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