Nesta sexta-feira (15), o empresário e advogado Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, foi detido preventivamente durante uma nova fase da Operação Sem Refino, conduzida pela Polícia Federal. A ação faz parte de uma investigação que busca descobrir possíveis irregularidades relacionadas ao setor de combustíveis, incluindo ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e transferência ilegal de recursos ao exterior.
A operação envolveu o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão e sete ordens de afastamento de funções públicas, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. As ações ocorreram nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades de empresas vinculadas às investigações.
A apuração está vinculada ao processo ADPF 635/RJ, conhecido como ADPF das Favelas, que originalmente tratava de estratégias para a segurança pública no Rio de Janeiro, mas que também passou a abranger investigações sobre organizações criminosas e possíveis contatos com agentes públicos estaduais. O órgão de fiscalização contou com apoio técnico da Receita Federal, que já monitorava movimentações financeiras relacionadas às atividades do grupo Refit, um dos maiores devedores de impostos no Brasil, com dívidas superiores a R$ 26 bilhões.
Ricardo Magro é reconhecido no mercado de combustíveis por sua gestão da antiga Refinaria de Manguinhos, adquirida em 2008. Desde então, o empresário tem enfrentado diversas disputas fiscais e processos administrativos associados à atuação do seu grupo no setor. Reside em Miami, nos Estados Unidos, uma distância frequentemente mencionada pelas autoridades brasileiras como um fator de atenção nas investigações envolvendo o grupo.
Com atuação paralela como advogado, Magro já prestou serviços para políticos, incluindo o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Seus nomes vêm à tona em investigações relacionadas à sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ao uso de estruturas empresariais com o intuito de ocultar patrimônio. A Refit também foi citada em inquéritos ligados à Operação Carbono Oculto, que apurou suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Tanto o empresário quanto a empresa negam irregularidades e rejeitam a caracterização de maior sonegador do país.
As investigações continuam em andamento, e próximas etapas dependerão das ações de fiscalização e do andamento do processo judicial.
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