maio 26, 2026
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26/05/2026

Mensagens do celular revelam agressões a Henry Borel antes da morte, desmontando versão inicial

No decorrer do julgamento do caso Henry Borel, o delegado Edson Henrique Damasceno afirmou que mensagens recuperadas do celular da babá da vítima foram essenciais para estabelecer que o menino foi vítima de agressões antes de seu falecimento. Segundo o delegado, o conteúdo das conversas desmontou a versão apresentada pelos então responsáveis pelo garoto, Jairinho e Monique Medeiros, de que a morte ocorreu após uma queda acidental em casa.

Damasceno, responsável pelas investigações na época, explicou que a investigação inicialmente apontava uma possível queda da criança da cama. No entanto, após análise do laudo cadavérico e das mensagens interceptadas no telefone de Thayná de Oliveira Ferreira, percebeu-se que as lesões presentes no corpo de Henry eram incompatíveis com essa explicação. O laudo pericial, assinado por oito especialistas, detalhou ferimentos em vários órgãos, como rins, pulmão, fígado e região craniana, além de manchas roxas, sugerindo um padrão de violências anteriores à morte.

Durante o depoimento, o delegado afirmou que as mensagens recuperadas pelo software Cellebrite, utilizado na extração de dados de celulares, revelaram episódios de agressão que contradiziam os depoimentos iniciais das testemunhas. Entre elas, há relatos de que Henry teria ficado sozinho com Jairinho, saindo mancando e reclamando de dor na cabeça. Além disso, Thayná de Oliveira, a babá, teria tentado que Monique Medeiros retornasse ao local após estas agressões, mas a mãe da criança demorou cerca de duas horas e meia para voltar, alegando estar em um salão de beleza.

Outro dado relevante é que, em fevereiro de 2021, Henry foi levado ao hospital após queixas de dor e dificuldades para andar. Na ocasião, Monique relatou que o filho teria se machucado após uma queda na cama, mesma versão posteriormente apresentada no caso da morte. Para recuperar mensagens apagadas, a perícia utilizou o software de extração de dados celulares.

Damasceno também indicou que as mensagens evidenciam que Monique Medeiros tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho e, de acordo com o delegado, ela demonstrava uma postura de resistência em relação a Jairinho, chegando a ameaçá-lo verbalmente caso ele não cumprisse suas exigências. Ainda segundo o delegado, testemunhas próximas à criança, como a babá, uma avó e uma empregada doméstica, teriam sido orientadas a omitir informações, com Monique solicitando que a babá apagasse mensagens do celular.

Durante o depoimento, Jairinho permaneceu impassível, enquanto Monique, em alguns momentos, ficou com a cabeça baixa. Além disso, Damasceno revelou que Jairinho tentou impedir a realização de perícia no corpo de Henry, pressionando o hospital onde o menino foi atendido para que um atestado de óbito fosse emitido sem necessidade de exame no IML. A tentativa, segundo ele, foi confirmada por contatos de um funcionário da Rede D’Or, que recebeu solicitações de Jairinho para agilizar o procedimento.

O delegado também relatou que, em depoimentos, outras ex-companheiras de Jairinho denunciaram episódios de agressão às próprias crianças, incluindo uma menina que teria tido a cabeça submersa na água e um menino que sofreu fratura no fêmur devido a violência.

Ao final, Damasceno destacou que o julgamento, previsto para durar cerca de cinco dias, continuará com oitiva de testemunhas, enquanto Jairinho acompanhava as sessões sem reações evidentes e Monique permanecia com a cabeça baixa em alguns momentos. Na mesma sessão, o advogado responsável pela defesa do ex-vereador anunciou sua saída do caso, justificando por dificuldades de saúde do advogado principal devido a um infarto. Jairinho também chegou a solicitar adiamento do júri, mas desistiu após a sugestão de transferência para uma unidade penitenciária mais rígida.

O caso envolve a acusação de homicídio qualificado contra Jairinho, que também responde por outros crimes, e de omissão por parte de Monique Medeiros, que é investigada por homicídio por omissão e demais delitos relacionados à morte do menino.


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