junho 23, 2026
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23/06/2026

Orçamento alto na educação do Rio enfrenta resultados abaixo da média no Ideb

O orçamento da educação no Rio de Janeiro apresenta saldo favorável, mas o desempenho dos estudantes, especialmente em indicadores de qualidade, permanece insatisfatório. Apesar de liderar investimentos por aluno no país, com gastos anuais de aproximadamente R$ 19.580 por estudante, o estado ocupa a penúltima posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Dados oficiais revelam uma disparidade de recursos: Goiás, por exemplo, investe R$ 10.704 por estudante, embora registre índices de qualidade superiores.

Segundo análises do Movimento EducAçãoRio, a aplicação de recursos no Estado não tem se traduzido em avanços no ensino. O aumento de 110% nas despesas correntes ao longo de cinco anos não se refletiu em melhorias na valorização de profissionais ou nas condições de sala de aula. Além do problema financeiro, a gestão da educação estadual enfrenta obstáculos políticos, como denúncias de corrupção e a existência de servidores fantasmas com salários quitados irregularmente. Paralelamente, professores relatam que seus salários permanecem defasados há anos, sem reajustes significativos.

Estudantes têm apontado dificuldades adicionais, incluindo problemas de segurança, infraestrutura precária e dificuldades de acesso à tecnologia, mesmo em unidades que possuem equipamentos, mas não dispõem de conexão adequada à internet. Em algumas regiões, como na Baixada e no Sul Fluminense, há relatos de armazenamento inadequado de materiais didáticos e baixa utilização de recursos tecnológicos avançados.

A Secretaria estadual de Educação informou que o fornecimento de materiais didáticos atende às necessidades dos alunos, incluindo reservas para novas matrículas. Quanto às despesas excessivas em obras de manutenção, foi efetuada uma auditoria para apurar procedimentos, e medidas foram tomadas, como a implementação de um teto de gastos de R$ 130 mil para reparos e reformas que serão realizadas por uma estatal própria.

Especialistas apontam que há potencial para melhorias na educação fluminense, principalmente pelo volume de recursos disponíveis atualmente. A mudança, no entanto, depende de decisão política. Como exemplo, outros estados brasileiros têm institucionalizado políticas que geraram avanços efetivos, como o Ceará, cuja lei do ICMS para educação e saúde distribuiu mais de R$ 8 bilhões entre municípios ao longo de 13 anos. Apesar disso, o Rio de Janeiro só aderiu a esse mecanismo recentemente.

Analistas destacam que a diversidade de realidades nos municípios pede abordagens específicas, especialmente para unidades mais vulneráveis e pequenas. Problemas de confiança e escândalos de corrupção também dificultam a implementação de políticas efetivas. O cenário atual evidencia a necessidade de ações estruturais que conciliem recursos robustos, decisão política firme e estratégias adaptadas às demandas locais.


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