Durante uma atividade de monitoramento ambiental na trilha de Itaocaia, na Serra da Tiririca, em Niterói, um funcionário do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) registrou uma espécie de borboleta com asas quase invisíveis. A ocorrência de Ithomia drymo, conhecida como borboleta-asa-de-vidro, é rara na região e chamou atenção devido à dificuldade de visualização no ambiente natural.
A espécie é adaptada para evitar predadores por meio de uma estratégia de camuflagem, que a torna praticamente invisível entre folhas, galhos e a luz que passa pela vegetação da floresta. Além da transparência de suas asas, que funciona como uma defesa natural, a borboleta possui mecanismos de proteção na fase de lagarta, adquiridos ao se alimentar de plantas tóxicas do gênero Cestrum. Essas substâncias químicas ajudam a reduzir o interesse de aves e outros predadores por ela.
A presença de Ithomia drymo é típica de áreas da Mata Atlântica e indica condições ambientais bem preservadas, como florestas úmidas e densas. Por ser sensível às mudanças ambientais, esse inseto é considerado um bioindicador importante da qualidade ecológica da região, especialmente em ambientes de elevado grau de conservação.
O registro na Serra da Tiririca evidencia a importância da unidade de conservação para a manutenção da biodiversidade local. O parque oferece um habitat natural com trilhas, vegetação frondosa e costeiras rochosas, criando condições favoráveis à sobrevivência de várias espécies, incluindo as mais sensíveis às alterações ambientais.
Apesar de seu habitar natural e do registro feito, a observação da borboleta-asa-de-vidro permanece voltada a um público restrito, pois sua principal característica é justamente passar despercebida na natureza, dificultando sua visualização mesmo de perto.
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