Na quinta-feira (12), o tradicional Arraiá do Complexo Caio Martins, em Niterói, foi cancelado após uma ação de fiscalização da prefeitura. A intervenção ocorreu em uma noite marcada por tensão, envolvendo o vereador Douglas Gomes e o subsecretário municipal de Ordem Pública, Major David, este último conduzido até a 77ª Delegacia de Icaraí.
Na parte da tarde, a Defesa Civil municipal esclareceu que áreas próximas às arquibancadas e do estádio permaneciam interditadas, conforme auto emitido em 2023 após inspeções técnicas que indicaram riscos estruturais. Em nova vistoria na mesma data, a equipe confirmou que as condições inseguras ainda não haviam sido resolvidas, reforçando que as intervenções necessárias para garantir a segurança do público e dos trabalhadores não foram realizadas.
O relatório da inspeção revelou que, apesar de atividades de montagem de estruturas no gramado para o evento, não foram adotadas medidas corretivas ou preventivas para mitigar os riscos identificados anteriormente. Assim, a Defesa Civil reafirmou a validade do Auto de Interdição nº 3423, emitido em agosto daquele ano, dizendo que o local não apresenta condições seguras para eventos com grande circulação de pessoas.
A organização do Arraiá alegou possuir todas as autorizações oficiais necessárias, incluindo alvará municipal e licença do Corpo de Bombeiros, e afirmou ter sido surpreendida pela decisão da Secretaria de Ordem Pública de cancelar o evento. Os responsáveis destacaram que cumpriram todas as exigências dos órgãos reguladores e receberam sinalização positiva quanto à realização da festa, além de não terem sido notificados oficialmente sobre a proibição.
A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer acompanhou a decisão municipal e anunciou que irá buscar esclarecimentos técnicos sobre os motivos que levaram à revogação do alvará transitório emitido para o evento. Segundo o órgão, a administração do complexo buscará entender os fundamentos da medida, especialmente quanto às condições de uso das áreas destinadas ao público.
Durante o episódio, o vereador Douglas Gomes relata ter sido acionado por expositores que participariam do evento. De acordo com sua versão, os organizadores apresentaram documentação que autorizava a realização da festa, incluindo alvará válido e laudo do Corpo de Bombeiros. Gomes afirmou que a Defesa Civil anteriormente não havia interditado o local, permitindo a montagem das estruturas, e que o auto de interdição não foi apresentado na ocasião.
O parlamentar também declarou que a administração do complexo informou que a interditação se limitava às arquibancadas, deixando outras áreas em operação. Diante dessas circunstâncias, Gomes solicitou apoio policial, deu voz de prisão ao subsecretário Major David e o conduziu à delegacia sob a acusação de abuso de autoridade. O órgão policial registrou a ocorrência como medida de proteção jurídica e realiza diligências para apurar todos os detalhes do fato.
A prefeitura de Niterói ainda não se manifestou oficialmente sobre as alegações do vereador. O caso permanece sob investigação na delegacia, enquanto a situação do evento continua indefinida.
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