Entre 1998 e 2022, o número de candidatas mulheres às vagas na Câmara dos Deputados aumentou quase dez vezes, passando de 358 para 3.668. Apesar desse crescimento expressivo, a presença feminina no Legislativo permaneceu abaixo de um quinto das cadeiras, atingindo 17,5% na Câmara e 17,8% nas assembleias estaduais nas eleições de 2022. Esses dados fazem parte de um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática, ligado à Universidade Federal do Paraná.
Desde a implementação da Lei das Cotas de Gênero, em 1997, e da Minirreforma Eleitoral, em 2009, que estabeleceu a reserva mínima de 30% de candidaturas para cada gênero, o crescimento das candidaturas femininas foi significativo. Contudo, especialistas apontam que as mudanças legislativas não garantiram condições iguais de concorrência, com desigualdades ainda bastante evidentes dentro dos partidos políticos.
De acordo com análises, a desigualdade no financiamento de campanhas e a exclusão de mulheres de cargos de decisão partidária restringem a participação feminina e influenciam na visibilidade e na distribuição de tempo de televota. Além disso, existe o fenômeno de candidaturas consideradas “laranjas”, que não possuem real intenção de disputar, mas são lançadas apenas para cumprir quotas obrigatórias.
O estudo também alerta para os efeitos dessa baixa representação em discussões públicas. A ausência de mulheres nos espaços de poder reduz a atenção a temas essenciais para elas, como combate à violência de gênero, políticas de saúde, criação de creches e programas de cuidado. A diminuição da influência feminina pode impactar orçamentos e prioridades legislativas relacionados a esses assuntos.
Por fim, o Portal da Classe Política, lançado recentemente, oferece uma plataforma consolidada com dados sobre candidaturas, patrimônio e financiamento de campanhas de 14 eleições, abrangendo os processos municipais, estaduais e federais. Essa ferramenta busca facilitar o acesso público a informações que antes eram mais difíceis de acompanhar, promovendo maior transparência e análise dos mecanismos do sistema eleitoral.
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