junho 22, 2026
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22/06/2026

Nova Iguaçu, cidade que foi capital da laranja, enfrenta transformação econômica e territorial

Nova Iguaçu, cidade situada na Baixada Fluminense, viveu um passado de destaque como principal produtora de laranja no Brasil, vetada pelos horizontes da exportação, e hoje é a maior do seu subelevar em população. Com cerca de 785 mil habitantes, ela ocupa a quarta posição em número de moradores no estado do Rio de Janeiro, mas enfrenta desafios econômicos que revelam profundas transformações ao longo do tempo.

Historicamente, a cidade foi reconhecida pela citricultura, tornando-se uma referência nacional na produção de laranja a partir da década de 1920. Nesse período, concentrou-se ali o maior núcleo citrícola do país, com extensa área de pomares e estruturas de beneficiamento que favoreciam a exportação. Por décadas, o setor foi símbolo de identidade, emprego e prestígio, contribuindo para que Nova Iguaçu fosse considerada uma das maiores exportadoras do Brasil. No entanto, a partir de 1939, com o impacto da Segunda Guerra Mundial, as rotas de exportação se encerraram, e a produção agrícola entrou em declínio devido a pragas e esgotamento do solo.

O processo de declínio agrícola foi acompanhado por uma expansão urbana acelerada. O desaparecimento das plantações abriu espaço para loteamentos populares, impulsionados pelo crescimento demográfico na região e pela proximidade com a capital. A cidade, que antes respirava o aroma da citricultura, passou a se transformar num subúrbio disperso, sem uma base produtiva que pudesse sustentar sua economia. Essa perda de vocação agrícola marcou o início da desestruturação territorial, que se agravou ao longo do século XX.

Outro aspecto que contribuiu para a redução do potencial econômico foi o processo de emancipação de outros municípios dentro de sua área original. Ao longo de décadas, seis cidades surgiram de seu território, incluindo Duque de Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Belford Roxo, Queimados, Japeri e Mesquita. Essas separações resultaram na perda de população, território e, sobretudo, de bases fiscais, já que o polo industrial de Queimados, por exemplo, foi desmembrado, levando embora uma parte importante da atividade industrial da região. Como consequência, Nova Iguaçu percebeu sua arrecadação reduzir enquanto suas demandas sociais permanecem elevadas, criando uma situação de desequilíbrio fiscal.

Atualmente, a economia da cidade é marcada por uma forte dependência do setor público, que responde por quase 38% do valor adicionado local, além de uma significativa atuação do setor de serviços, que representa pouco mais da metade da receita econômica. A indústria, antes símbolo de sua identidade produtiva, responde por menos de 10%, consequência do esvaziamento do parque fabril causado pelas emancipações e pelo declínio da produção agrícola. O resultado é uma cidade que vive de comércio, serviços e compensações financeiras do setor público.

No âmbito social, a cidade apresenta indicadores de desenvolvimento razoáveis, mas ainda com dificuldades herdadas de seu passado. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) era de 0,713 em 2010, a classificação considerada alta, porém abaixo da média estadual e da capital. Apesar de melhorias ao longo das últimas décadas, a cidade enfrenta desafios relacionados à infraestrutura, à informalidade e à violência, aspectos que influenciam sua qualidade de vida.

No momento atual, Nova Iguaçu mantém seu papel de polarizador regional, concentrando um centro comercial ativo que serve como referência de comércio, educação e saúde para uma população muito maior que sua área. A presença de universidades e unidades de saúde de alta complexidade reforça sua importância na região. Contudo, a cidade enfrenta o desafio de reduzir sua dependência de deslocamento diário de moradores à capital, procurando fortalecer sua economia local através do resgate de suas vocações industriais e do estímulo ao desenvolvimento de atividades de maior valor agregado na própria região.

O futuro de Nova Iguaçu aponta para a necessidade de consolidar uma economia mais autônoma, de modo a oferecer empregos de qualidade e promover melhorias na infraestrutura social. A potencialidade de sua centralidade regional é vista como um ativo fundamental para redirecionar seu desenvolvimento, por meio de estratégias que valorizem o que ainda é capaz de gerar riquezas e oportunidades para seus habitantes.


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