junho 24, 2026
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24/06/2026

Justiça investiga autoria do Pix em ação movida por criadora de sistema semelhante

Uma indagação judicial envolvendo a origem do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, trouxe à tona uma disputa sobre direitos autorais. A ação, atualmente em tramitação na Justiça Federal, foi ajuizada por Anette Vernaschi Toppan, professora e empresária, que alega ter desenvolvido uma proposta similar ao sistema anos antes da sua implementação oficial.

De acordo com a denúncia, ela teria criado o projeto “Tá Pago”, registrado na Biblioteca Nacional em 2014, que permitia transferências eletrônicas rápidas via celular, com características semelhantes às do Pix. Anette afirma que apresentou documentos relacionados ao “Tá Pago” ao Banco Central entre 2015 e 2016, enquanto a instituição começava a estudar o desenvolvimento do sistema que viria a ser o Pix.

Na petição, a autora explica que a metodologia de pagamentos digitais que criou buscava substituir dinheiro físico e cartões, e que diferia do Pix por usar créditos de telefonia móvel para efetuar transferências, uma vez que sua plataforma não atuava como instituição financeira. Ela solicita o reconhecimento de violação de direitos autorais e uma indenização mínima de um milhão de reais, além de royalties sobre a utilização da metodologia desde 2020. Também pede a apuração de danos materiais e lucros cessantes.

Um dos pedidos mais controvérsios foi a solicitação de suspensão do sistema Pix em todo o território nacional até o julgamento final do processo. O Banco Central, por sua vez, nega qualquer violação de direitos, argumentando que sistemas similares ao do projeto “Tá Pago” já existiam antes mesmo do registro, e que o Pix foi desenvolvido com base em estudos próprios e referências internacionais.

O processo foi iniciado em setembro de 2025, inicialmente sob sigilo, vindo a público em maio deste ano após decisão judicial. Recentemente, um juiz federal negou o pedido de perícia técnica para comparar os sistemas, recurso que a autora protocolou, aguardando nova avaliação do tribunal.

Desde sua introdução oficial em novembro de 2020, o Pix tem se consolidado como o principal método de pagamento instantâneo no país, movimentando bilhões de reais diariamente. O sistema está disponível 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados, e é utilizado por indivíduos, empresas e órgãos públicos em todo o Brasil. Ainda não há uma decisão definitiva sobre a autoria do sistema ou eventuais indenizações nesta disputa judicial.


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