Na manhã desta segunda-feira (29), os serviços de transporte público no Rio de Janeiro sofreram impacto significativo devido a uma greve dos rodoviários, causando interrupções e dificuldades de locomoção para os usuários. Estima-se que apenas 800 veículos, representando cerca de 32% da frota total, estejam em circulação, além de uma operação reduzida de 68% dos ônibus do sistema BRT. O movimento ocasionou longas filas, aglomerações em pontos de embarque e atrasos nas viagens, especialmente nas regiões mais afetadas. Além disso, registros indicam ataques a pelo menos trinta ônibus distribuídos pela cidade.
De acordo com o Rio Ônibus, o funcionamento dos veículos permanece limitado, mas as empresas unem esforços para retomar a normalidade na circulação. Em comunicado, a entidade solicitou aos motoristas que se apresentem nas garagens para colaborar com a retomada do serviço completo, reiterando a necessidade de respeitar a decisão judicial que exige pelo menos metade da frota operando para garantir o atendimento ao público.
Para contornar o impacto na mobilidade, os trens e o metrô reforçaram suas operações nesta manhã. A TrensRJ aumentou o número de viagens em diversos ramais, incluindo Japeri, Santa Cruz, Deodoro, Saracuruna e Belford Roxo, com intervalos que variam de oito a trinta minutos. O Metrô Rio também ampliou sua oferta de veículos para atender à demanda crescente, resultado da paralisação dos ônibus e do deslocamento antecipado causado pelo jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.
A greve foi oficializada na noite de domingo por um sindicato que representa os trabalhadores do setor, incluindo operadores do BRT. Os profissionais reivindicam um piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além de melhorias no vale-alimentação e implementação de uma escala de trabalho 5×2. A proposta apresentada pelo Rio Ônibus, de reajuste de aproximadamente 4,39%, foi rejeitada pelos trabalhadores em assembleia, que durou cerca de uma hora e meia. O sindicato afirma que o valor do reajuste não atende às necessidades da categoria e critica as condições de trabalho enfrentadas pelos motoristas.
Segundo setores envolvidos, o impasse também se relaciona à dificuldade na implementação da decisão judicial de manter pelo menos 50% da frota circulando. O sindicato acusou as empresas de não fornecerem a escala necessária para cumprir a determinação, atribuindo a responsabilidade pelo atraso na normalização do serviço à iniciativa patronal.
Em resposta, o Rio Ônibus afirmou que as negociações com o sindicato continuam e que a operação de hoje deveria ocorrer de forma regular. A Mobi Rio, responsável por algumas linhas municipais e pelo sistema BRT, garantiu que o serviço seguia operando normalmente. A Prefeitura do Rio declarou que acompanha de perto a situação e que tomará medidas para minimizar os efeitos da greve na população, inclusive solicitando à Justiça o aumento do percentual mínimo de veículos em circulação.
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