Após mais de treze anos de inatividade, um antigo cinema na Tijuca, conhecido como Cine Tijuca Palace, passará por mudanças de uso. O imóvel, que foi o último cinema de rua a fechar as portas na região na década de 1990, será adaptado para receber uma rede de academias, após negociação entre os atuais proprietários e a administração municipal chegar a um acordo. O espaço já está passando por obras de reforma sob gestão da rede Academias Ultra, que assume o aluguel do local.
Situado na Galeria Caruso, na Rua Conde de Bonfim, o imóvel foi alvo de diversas tratativas envolvendo a Prefeitura do Rio, a RioFilme e a Secretaria Municipal de Cultura, visando sua reabertura. Contudo, essas tentativas não avançaram, sobretudo devido às dívidas de IPTU acumuladas pelo edifício desde seu fechamento.
Inaugurado em 1967, o cine consistia em um espaço dedicado ao cinema de arte e preservava muitos de seus elementos originais até o momento de encerramento. Em novembro, houve a retirada de equipamentos antigos, que foram encaminhados para reciclagem, enquanto negociações com a cadeia SmartFit estavam em andamento.
A família Valansi, proprietária do imóvel, possui uma significativa história na infraestrutura cinematográfica do Rio de Janeiro, tendo construído várias salas integradas a edifícios residenciais, além de administrar cinemas tradicionais na cidade, como Cine Coral e Cine Scala, no bairro de Botafogo, Cine Joia, em Copacabana, e Cine Paissandu, no Flamengo. Essa mesma família também foi responsável pela gestão da Companhia Cinematográfica Franco-Brasileira.
A região da Tijuca foi reconhecida na história do cinema do Rio por concentrar um importante polo de cinemas de rua. Essa área, especialmente ao redor da Praça Saens Peña, chegou a ser considerada uma espécie de “Cinelândia tijucana”, destacando-se como um centro de lazer na Zona Norte. Durante sua fase de maior atividade, o bairro abrigava cerca de 42 salas de exibição. No entanto, entre as décadas de 1970 e 1990, uma onda de fechamento levou ao desaparecimento de muitas dessas salas, substituídas por igrejas, supermercados e estabelecimentos comerciais. Atualmente, muitos desses edifícios contam com tombamento municipal, preservando a memória do bairro como um importante polo cultural.
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