Em uma decisão que tramitou por cerca de uma década, a Justiça condenou Francisco Ângelo Saboia a 27 anos de prisão pela morte da ex-esposa, Rosemary de Souza Pinto, ocorrida em 2017 em São Gonçalo. A sentença foi proferida após um julgamento de dois dias, encerrado na última quarta-feira, quando o júri reconheceu as qualificadoras de motivo torpe e emboscada no crime.
Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o ex-marido foi apontado como mandante do assassinato, entregando uma pistola calibre 9 milímetros a dois homens contratados para cometer o crime. As investigações indicam que o homicídio teria ligação com conflitos patrimoniais e questões pessoais resultantes do término do casamento. A Justiça determinou a prisão imediata de Saboia, negando-lhe o direito de recorrer em liberdade. Uma solicitação de habeas corpus, por motivos de saúde, aguarda análise da defesa.
Na ocasião do assassinato, Rosemary, de 52 anos, chegou à escola de sua propriedade, na Rua da Liberdade, em Marambaia, onde foi abordada por dois homens em uma motocicleta, que perguntaram pela proprietária do estabelecimento. Após a resposta da pedagoga, os criminosos efetuaram os disparos, e ela foi levada ao Hospital Estadual Alberto Torres, mas não resistiu.
As primeiras hipóteses de investigação apontaram inicialmente conflitos relacionados ao tráfico de drogas ou a litígios pessoais envolvendo a vítima. Contudo, ao longo das apurações, a teoria de um conflito familiar ganhou destaque. Em 2018, Francisco Ângelo Saboia foi preso durante a Operação Prova Concreta, coordenada pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, quando se confirmou que a arma utilizada era de sua propriedade. Testemunhas relataram ameaças anteriores feitas contra Rosemary e indicaram a possível contratação de terceiros para o crime.
Após o assassinato, familiares, funcionários e estudantes da escola de Rosemary se mobilizaram por justiça, em uma mobilização que ganhou destaque na mídia local. Quase dez anos após o ocorrido, ainda não há informações sobre recursos ou ações de apelação pelo condenado. A sentença, agora definitiva, marca o desfecho de uma investigação que revelou os detalhes do crime e suas motivações.
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