Uma exposição fotográfica dedicada à cultura dos orixás e ao Candomblé será apresentada na Universidade de Salamanca, na Espanha. Intitulada “Orixá – Um Sopro de Vida”, a mostra acontecerá de 11 de novembro a 22 de dezembro, proporcionando ao público europeu uma oportunidade de conhecer aspectos dessa religião de matriz africana.
Organizada pelo fotografo documental Carlos Junior, de 58 anos, a exposição apresenta registros captados ao longo de 25 anos de trabalho. O objetivo é promover reflexão sobre temas como racismo e intolerância religiosa, além de divulgar a cultura das comunidades de Ketu, Angola, Jeje e Efon, presentes na religiosidade brasileira. A iniciativa inclui visitas a terreiros no Rio de Janeiro, onde o artista documentou rituais, espaços sagrados e manifestações de fé.
Segundo Carlos Junior, as imagens têm a intenção de desmistificar o entendimento europeu sobre o Candomblé, muitas vezes encarado sob uma ótica de exotismo ou desconhecimento. Para o fotógrafo, a exposição visa substituir percepções equívocas por uma compreensão mais aprofundada, apresentando os orixás como forças naturais, virtudes humanas, símbolos de resistência e manifestações de sabedoria.
Dados do Ministério dos Direitos Humanos no Brasil indicam que 76% dos terreiros de religiões de matriz africana já sofreram episódios de racismo religioso. O fotógrafo reforça que o preconceito e a violência contra essas tradições continuam presentes no país, o que torna ainda mais relevante a difusão de suas histórias e significados para audiências estrangeiras.
A iniciativa busca ampliar o entendimento da cultura afro-brasileira na Europa, onde o contato com o Candomblé é limitado. Carlos Junior acredita que visitantes europeus passarão a buscar maior conhecimento sobre a religião e seus elementos culturais, além de desenvolver uma sensibilidade que ultrapassa a simples apreciação visual das imagens. Para ele, as fotos também funcionam como uma forma de ensinar o impacto da herança africana na formação do Brasil.
A mostra será acessível também online, por meio do site da instituição durante o período de exibição. Assim, a proposta é ampliar o alcance das obras e incentivar uma compreensão mais ampla e respeitosa sobre as tradições afro-brasileiras no continente europeu.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



