Um levantamento realizado pela Pezco Economics, em parceria com a Regenera Rio, aponta que a gestão eficiente de resíduos sólidos na região pode gerar uma contribuição de aproximadamente R$ 926,7 milhões ao Produto Interno Bruto (PIB) de sete municípios fluminenses e criar cerca de 1.800 empregos formais. Além disso, o estudo revela que, ao incluir os benefícios sociais, ambientais evitados e a economia no sistema de saúde pública, esses benefícios podem atingir valores entre R$ 1,40 bilhão e R$ 1,65 bilhão anuais.
As conclusões do trabalho foram apresentadas nesta semana, durante o evento “Investir em Resíduos Sólidos Urbanos: impactos econômicos, sociais e ambientais no Rio de Janeiro”, realizado no Touring Eventos, na capital. O estudo contempla as cidades do Rio de Janeiro, Itaguaí, Mangaratiba, Miguel Pereira, Paty do Alferes, Piraí e Seropédica. Ainda segundo o levantamento, a adequada destinação dos resíduos evita custos sociais e ambientais que variam de R$ 466 milhões a R$ 690 milhões por ano, além de reduzir despesas hospitalares diretas ao Sistema Único de Saúde (SUS), estimadas entre R$ 4,2 milhões e R$ 34,1 milhões ao ano.
Durante a apresentação, o CEO da Pezco Economics, Gabriel Fiuza, destacou a relevância de considerar a gestão de resíduos como infraestrutura urbana. “A gestão de resíduos é uma parte essencial do planejamento urbano, que impacta a economia local. Nosso estudo busca evidenciar esses efeitos, baseando-se em referências de estudos nacionais e internacionais.”
O evento também marcou os 15 anos de operação do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), localizado em Seropédica. Participaram representantes do setor público, privado e especialistas que discutiram avanços, desafios e perspectivas na área de resíduos sólidos urbanos.
Na abertura, Maurício Batista, presidente da Regenera Rio, destacou que os benefícios do saneamento vão além do aspecto financeiro. “Pensar em saneamento básico é refletir sobre os impactos na sociedade, incluindo a proteção do meio ambiente e a geração de empregos,” afirmou. Por sua vez, Alberto Gomes, diretor da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), reforçou a necessidade de estabelecer políticas públicas de longo prazo sustentáveis e com foco no desenvolvimento ambiental.
Pedro Maranhão, representante da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), destacou a transformação do setor e a importância de ampliar o foco no aproveitamento de materiais descartados. Segundo ele, o objetivo é transformar empresas de lixo em organizações voltadas ao meio ambiente, promovendo a mitigação dos impactos ambientais ao trabalharem resíduos sólidos domiciliares.
O evento também contou com um painel sobre estratégias para aperfeiçoar a gestão de resíduos sólidos. O debate foi conduzido por Fiuza e contou com a presença de especialistas do setor, incluindo representantes de bancos públicos, secretarias de governo, universidades e empresas de tecnologia em saneamento.
Ao encerrar, Maurício Batista afirmou que o estudo contribui para o debate sobre o desenvolvimento sustentável, destacando a importância de enxergar a gestão de resíduos como uma infraestrutura integrada, que gera externalidades positivas para a região.
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