O governo federal anunciou que as forças de combate aos incêndios florestais no Amazonas já instauraram 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) na tentativa de apurar possíveis condutas criminosas relacionadas às queimadas na região. As investigações têm foco na identificação de responsáveis, com suspeitas de atuação coordenada, enquanto equipes de segurança e brigadistas continuam empenhadas no combate às chamas e na mitigação dos efeitos da fumaça sobre a população local.
A informação foi divulgada em uma entrevista coletiva realizada em Manaus, na qual o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima destacou o andamento do trabalho investigativo. Segundo ele, as ações visam determinar se há uma organização por trás dos incêndios e responsabilizar os envolvidos. O ministro sinalizou que as autoridades pretendem aplicar sanções aos responsáveis, caso sejam confirmadas condutas ilícitas.
O comando das investigações está sob a coordenação das polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil do Amazonas, com apoio de outras forças de segurança. Além disso, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi acionada para contribuir na análise de possíveis ações coordenadas.
Em relação ao histórico de incêndios, o ministro reforçou que as ocorrências recentes podem estar relacionadas a episódios anteriores envolvendo focos de fogo intencionais, citando o evento conhecido como “Dia do Fogo”, ocorrido em 2024. A atuação da Abin busca identificar semelhanças entre esses eventos e o cenário atual, embora ainda não haja uma conclusão definitiva sobre autoria ou organização por trás das queimadas.
As penalidades para quem provocar incêndios podem ser de natureza administrativa ou criminal. As multas variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare atingido, além de medidas como embargo da área e apreensão de equipamentos utilizados. Em casos mais graves, os responsáveis podem responder criminalmente, inclusive com risco de prisão, conforme a legislação vigente.
A fumaça gerada pelas queimadas tem causado problemas de saúde e afetado atividades em várias cidades do Amazonas. Em Manaus, por exemplo, as aulas presenciais na rede municipal, na Universidade do Estado do Amazonas e no campus do Instituto Federal do Amazonas foram suspensas devido à má qualidade do ar. O Ministério do Meio Ambiente projeta uma melhora gradual na situação, condicionada às condições meteorológicas, especialmente à direção e força dos ventos que transportam a fumaça.
Embora os focos mais próximos tenham sido reduzidos, ainda há incêndios em áreas distantes que continuam emitindo fumaça para a capital. Atualmente, o Amazonas registra oito incêndios ativos, segundo informações do governo, mesmo após uma redução no número de novos focos desde o início da temporada de queimas na região.
Para intensificar o combate, o governo disponibilizou 11 aeronaves — incluindo seis de combate direto, uma com alta capacidade de lançamento de grandes volumes de água, além de três helicópteros e uma aeronave de apoio logístico. Até o momento, 290 brigadistas atuam no campo, com outros 40 sendo deslocados para reforçar as operações, totalizando uma força de 330 profissionais envolvidos na tarefa de conter as queimadas e monitorar as áreas de difícil acesso. Recentemente, autoridades sobrevoaram regiões do estado para identificar focos de incêndio, reforçando o esforço de controle e prevenção.
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