maio 6, 2026
maio 6, 2026
06/05/2026

Anvisa amplia fiscalização e monitora efeitos adversos de medicamentos para obesidade e diabetes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta quarta-feira, uma nova estratégia de fiscalização para acompanhar de perto possíveis efeitos colaterais de medicamentos utilizados no tratamento de diabetes e obesidade, particularmente os basedos em agonistas do receptor GLP-1, como a semaglutida. A medida visa fortalecer o monitoramento após o aumento do uso dessas medicações, especialmente na forma de canetas injetáveis.

Até o momento, o acompanhamento da segurança desses produtos dependia de notificações voluntárias feitas por profissionais de saúde, pacientes ou unidades de cuidados. Com a implementação da nova ação, a Anvisa pretende estabelecer uma supervisão mais sistemática, envolvendo parcerias com hospitais, universidades, laboratórios e unidades de saúde na vigilância dos efeitos adversos relacionados ao uso dessas drogas.

De acordo com dados apresentados, entre 2018 e março de 2026, foram registradas quase 3 mil notificações de reações adversas ligadas aos medicamentos dessa categoria. O ano de 2025 lidera os registros, principalmente relacionados à semaglutida. A crescente circulação e o consumo não supervisionado elevaram o alerta na agência, que destacou a preocupação com o uso fora das indicações autorizadas e a ocorrência de produtos falsificados no mercado.

O diretor da Anvisa, Thiago Lopes Cardoso Campos, ressaltou que a entrada de produtos irregulares no mercado pode causar problemas como dosagem incorreta, contaminação, redução na eficácia e riscos à saúde dos usuários. Além das ações de fiscalização, a agência firmou parceria com a Polícia Federal e associações de hospitais, incluindo a Rede Sentinela — composta por hospitais, centros de pesquisa, laboratórios e serviços farmacêuticos — para apoio ao monitoramento. A iniciativa também deve incluir a participação de hospitais universitários federais.

A fiscalização pós-venda se mostra fundamental, uma vez que alguns efeitos adversos podem surgir somente após o uso prolongado ou em grande escala. Para o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a ocorrência de um aumento na procura dessas medicações exige maior rigor por parte do órgão regulador. Ele destaca a necessidade de atuação proativa na detecção de eventuais riscos, além do acompanhamento tradicional por notificações espontâneas.

A expectativa é que, nos próximos meses, mais instituições de saúde possam aderir ao programa de monitoramento estruturado, reforçando o controle da segurança desses medicamentos no Brasil.


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