O crescimento das apostas esportivas online tem contribuído para a diminuição do consumo e o aumento das dificuldades financeiras entre as famílias brasileiras, aponta estudo divulgado na última terça-feira por um importante órgão de comércio no país. Segundo a análise, a crescente inadimplência relacionada às atividades de apostas causou uma saída de aproximadamente R$ 143 bilhões do varejo entre os primeiros meses de 2023 e março de 2026.
Esse montante é comparável às vendas do período de Natal de 2024 e 2025, indicando que, mensalmente, os brasileiros destinam mais de R$ 30 bilhões às plataformas de apostas, o que impacta na renda disponível para dívidas e despesas essenciais. Estima-se que cerca de 270 mil famílias tenham passado a sofrer inadimplência severa, com débitos superiores a 90 dias de atraso, em consequência de esse tipo de despesa.
De acordo com a análise, o fenômeno transcende o mero entretenimento, trazendo riscos à estabilidade financeira dos lares e ao volume de consumo no país. Especialistas destacam que a maior parte das famílias afetadas está situada em segmentos vulneráveis, incluindo pessoas com renda de até cinco salários mínimos, homens, indivíduos acima de 35 anos e com ensino médio completo. Entretanto, mesmo famílias de maior renda também podem se ressentir, ao direcionar recursos para apostas e apresentar atrasos em pagamentos.
O cenário atual levou autoridades e representantes do setor a defenderem a implementação de medidas regulatórias mais rigorosas. O presidente de uma importante entidade do sistema de comércio e serviços ressaltou que o impacto das apostas online já possui dimensão macroeconômica e enfatizou a necessidade de discutir limites na publicidade e na proteção aos consumidores.
O estudo revela ainda que a maioria das famílias brasileiras permanece endividada, com 80,4% delas registrando algum tipo de dívida. Essa taxa se mantém próxima aos 78% do final de 2022 e é bastante superior aos percentuais observados antes de 2019.
Em resposta às conclusões, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, representante do setor de apostas legalizadas, enviou uma notificação à CNC. A entidade questiona a metodologia usada na pesquisa, alegando que as conclusões são alarmistas e não condizem com dados oficiais, além de criticarem análises anteriores por terem partido de premissas desalinhadas com as informações disponíveis ao público.
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