junho 14, 2026
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14/06/2026

Aumento de corredores no Brasil impulsiona transformação social e econômica do esporte

Nos últimos tempos, a imagem de corredores frequentando a orla fluminense se tornou comum, mas a crescente quantidade de vídeos nas redes sociais que exibem tempos e percursos aponta para uma mudança significativa no perfil dos praticantes. Essa evolução revela que a corrida deixou de ser apenas uma atividade física para se consolidar como um estilo de vida.

Em diferentes regiões do estado, incluindo Niterói, Maricá, cidades da Região dos Lagos e a própria capital, a modalidade passa a ocupar espaços antes dedicados ao lazer ou ao trânsito, evoluindo para um verdadeiro hábito saudável. Segundo o professor de Educação Física Eduardo Mariano, morador de Maricá, a popularidade do esporte deve-se à sua acessibilidade e à busca por qualidade de vida, além de promover uma integração social maior. Ele destaca que a atividade, além do aspecto físico, tem fortalecido vínculos comunitários, com encontros de corredores que compartilham experiências e conquistas.

As redes sociais desempenham papel central nesse fenômeno, estimulando a formação de grupos e comunidades de prática. João Traven, sócio-fundador da Maratona do Rio e diretor da Spiridon, salienta que histórias de superação, transformação e pertencimento ganham visibilidade e motivam novos participantes a ingressar no universo da corrida. Essa dinâmica fortalece laços e aumenta o número de praticantes.

Apesar da expansão, há recomendações para quem pretende começar a correr. A avaliação médica é aconselhável para garantir segurança e preparação adequada. Eduardo Mariano orienta que o início deve ser gradual, com caminhadas leves e exercícios de ativação muscular, além de respeitar o próprio ritmo para evitar lesões. Ele reforça a importância de compreender as condições de saúde antes de iniciar a prática.

A mudança no perfil dos corredores evidencia uma maior diversidade, com aumento da participação de mulheres, jovens e pessoas que buscam benefícios relacionados ao bem-estar físico e mental. Segundo Traven, esse amplo público enxerga na prática uma componente fundamental do cotidiano. O crescimento desenfreado, por sua vez, deve conviver com dados que apontam altas taxas de inatividade física no Brasil, refletindo um cenário de contradições. Ainda assim, registros indicam uma elevação no percentual de adultos praticantes de atividades físicas ao ar livre, com programas governamentais apoiando atividades gratuitas e orientadas.

A influência das redes sociais também impacta positivamente ao promover relatos de superação, treinos e experiências, consolidando o esporte como hábito. Profissionais de saúde destacam os efeitos benéficos da corrida, como a liberação de neurotransmissores que reduzem a ansiedade e o estresse, além de melhorar o foco. Entretanto, alertam para riscos de hiperexposição, que podem levar à dependência emocional da atividade ou à distorção da relação com o corpo.

A realização de eventos de corrida também impulsiona o setor econômico, com crescimento no calendário esportivo de 2025, que apresentou aumento percentual considerável na quantidade de atrações, gerando impacto financeiro relevante na cidade. A Maratona do Rio, por exemplo, atingiu um recorde de inscrições em 2026, atraindo atletas de diferentes países e fortalecendo a imagem da cidade como palco de eventos esportivos de destaque.

Para o futuro, há consenso de que a corrida continuará a atrair praticantes, mesmo que o ritmo de crescimento desacelere. A modalidade, que se consolidou como parte do cotidiano de muitos, mantém seu valor tanto na performance esportiva quanto como espaço de convivência e celebração. A diversidade de motivadores e participantes é apontada como um dos principais fatores de sustentação dessa tendência.


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