junho 22, 2026
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22/06/2026

Brasil reintroduz vacina injetável contra poliomielite com reforço aos 4 anos

A partir de agosto, o Sistema Único de Saúde (SUS) retornará ao esquema de vacinação contra a poliomielite, incluindo uma dose adicional de reforço injetável para todas as crianças de 4 anos. Essa mudança reintroduz o procedimento que foi padrão até 2024, agora adotado exclusivamente com a vacina injetável de vírus inativado. A medida visa fortalecer a proteção infantil contra a doença, que, há quase quatro décadas, não registra casos no país.

Historicamente, a imunização contra a poliomielite envolvia três doses iniciais aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de vida, seguidas por duas doses de reforço com a vacina oral, de vírus enfraquecido, chamadas de gotinha. Em 2024, essa estratégia foi modificada, eliminando a segunda dose de reforço para minimizar riscos derivados das mutações ocasionais do vírus atenuado.

Com a nova orientação, o esquema será constituído por três doses nos primeiros meses de vida e duas doses de reforço, aos 15 meses de idade e aos quatro anos, todas com a vacina inativada. Crianças menores de cinco anos que ainda não completaram esse ciclo devem procurar postos de saúde para verificar a necessidade de atualização vacinal.

A alteração foi aprovada após análise pela Câmara Técnica de Imunizações e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações na semana passada. A aplicação dessas novas recomendações começa em 3 de agosto. Especialistas destacam que reforços são essenciais para a manutenção da alta proteção, uma vez que a imunidade tende a diminuir com o tempo.

De acordo com a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a vacina é indicada especialmente para crianças pequenas, por apresentarem maior vulnerabilidade a quadros graves caso contraiam o vírus. Em situações de surtos, adultos também podem ser vacinados.

Desde 1989, o Brasil não registra casos de poliomielite, tendo recebido o certificado de área livre de circulação do vírus em 1994. Contudo, já que o vírus ainda circula em outros países, a vacinação contínua é essencial para evitar que a doença volte a surgir, especialmente considerando a circulação global do vírus. O histórico brasileiro inclui mais de 26 mil infecções entre 1968 e 1989, sintomas leves na maioria dos casos, mas com potencial de afetar o sistema nervoso central, levando à paralisia ou morte. A poliomielite é frequentemente chamada de “paralisia infantil” devido aos seus efeitos debilitantes.


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