A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou nesta quarta-feira um plano de reurbanização no centro da cidade, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 1,75 bilhão ao longo de 25 anos. O projeto, denominado Praça Onze Maravilha, autoriza a criação de uma Área de Especial Interesse Urbanístico e inclui ações de mobilidade, habitação, recuperação de espaços públicos e instalação de novos equipamentos culturais. A proposta foi aprovada por 36 votos favoráveis e três contrários, e segue para a sanção do prefeito.
O projeto atinge áreas próximas à Praça Onze, Estácio, Cidade Nova, Catumbi e Cruz Vermelha, entre outros bairros. A expectativa da administração municipal é que mais de 37 mil moradias sejam erguidas na região durante o período, complementadas por intervenções que visam melhorar aspectos relacionados à habitação, lazer, turismo e desenvolvimento econômico.
Durante sua tramitação, o plano passou por quatro reuniões técnicas e duas audiências públicas, que envolveram moradores, especialistas, representantes de escolas de samba e entidades da sociedade civil. No total, foram apresentadas 180 emendas, das quais cerca de 60 foram incorporadas ao texto final.
Entre as alterações aprovadas, destaca-se uma parceria entre a prefeitura e o Governo do Estado para garantir a conclusão do lote 29 do metrô, incluindo as estações Catumbi e Praça da Cruz Vermelha, na Linha 2. Segundo o presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), a iniciativa tem potencial para ampliar a mobilidade na região central.
Outra mudança prevê a proteção das atividades da Cidade do Samba Joãosinho Trinta durante processos de modernização ou reorganização relacionados ao carnaval, buscando preservar a cadeia produtiva das escolas de samba. Além disso, o projeto prioriza a contratação de moradores das comunidades próximas para atuar nas obras e na manutenção das intervenções, promovendo oportunidades de emprego nos setores da construção civil, comércio, turismo, serviços e economia criativa.
No âmbito ambiental, a proposta contempla a criação de áreas verdes públicas e espaços de convivência, reforçada por uma emenda que visa à ampliação da permeabilidade do solo e ao aumento do conforto térmico nas áreas de intervenção. Para os moradores removidos de suas atuais residências, está prevista a realocação em imóveis construídos na mesma região.
O plano também revisa o gabarito de construção nas áreas do Catumbi, buscando reduzir impactos visuais sobre a paisagem de Santa Teresa. Entre as ações previstas estão a restauração da Vila Operária do Estácio, um conjunto habitacional de 1906 que atualmente abriga cerca de 120 famílias, além de obras de infraestrutura que incluem a demolição do Elevado 31 de Março, a criação do Boulevard do Samba, alterações no sistema viário, a adaptação do Sambódromo para uso multiuso, além de parques e bibliotecas.
Para financiamento, o projeto prevê mecanismos que incentivam investimentos do setor privado, como autorizações para construções superiores e uso de parâmetros urbanísticos diferenciados mediante contrapartidas, com os recursos arrecadados destinados à própria região. A proposta também autoriza a transferência de potencial construtivo para bairros como Copacabana, Ipanema, Lagoa, Botafogo, Tijuca e regiões da Zona Norte por até dez anos. Ademais, prevê concessões urbanísticas, parcerias público-privadas, fundos imobiliários e convênios com entidades públicas para impulsionar projetos habitacionais, culturais e a recuperação de patrimônios históricos.
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