março 20, 2026
março 20, 2026
20/03/2026

Caso de feminicídio: policial militar é presa suspeita de matar esposa após episódios de violência

Uma policial militar de 32 anos foi vítima de violência psicológica e ameaças constantes antes de sua morte, ocorrida em 18 de fevereiro no apartamento onde residia no bairro do Brás, em São Paulo. Relatos internos indicam que Gisele Alves Santana expressou temor e episódios de ansiedade relacionados ao relacionamento com seu marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

Segundo investigações, Gisele descrevia o comportamento do esposo como marcado por ciúmes excessivos, chegando a afirmar que ele “ficava cego” e que poderia matá-la. Em conversas com colegas de trabalho, ela revelou um clima de ameaça contínua, incluindo menções a possíveis ações extremas de sua parte, além de episódios de agressão física, como uma agressão ao rosto durante uma discussão.

A policial também relatou, em mensagens, que informações sobre a separação provocaram reações emocionais intensas na outra parte, incluindo um vídeo em que o tenente-coronel aparece chorando, com uma arma apontada para a própria cabeça, ameaçando tirar a própria vida. A defesa do suspeito argumenta que a gravação teria sido produzida por meio de inteligência artificial.

Dias antes do falecimento, Gisele procurou os familiares para relatar o desgaste emocional, demonstrando angústia e medo de perseguição. Apesar das advertências da família sobre o risco de violência, ela declarou que ainda pretendia seguir adiante com o processo de separação, o que, segundo registros, foi recebido com resistência pelo marido.

O tenente-coronel nega qualquer envolvimento em violência e afirma que Gisele teria cometido suicídio após uma crise conjugal. Segundo sua versão, após uma discussão sobre a separação, ele saiu do local e, ao voltar, teria ouvido um disparo e encontrado a esposa caída, com a arma na mão. Ele também sustenta que tentou agir normalmente, tomando banho após o episódio, e nega qualquer conduta agressiva.

Autoridades apontam que há inconsistências na versão do suspeito, incluindo a demora na solicitação de socorro e contradições em depoimentos. Além disso, o Ministério Público considera que há indícios de feminicídio, com possíveis tentativas de encobrir o crime por meio de uma simulação de suicídio. Com as investigações em andamento, o suspeito foi preso em março sob acusação de feminicídio e obstrução da justiça, enquanto as análises periciais continuam a contribuir para esclarecimento do caso.


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