A nova gestão do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Rio de Janeiro (DER-RJ) anunciou uma revisão ampla de suas finanças e administração após constatar a insuficiência de recursos para a realização de serviços essenciais, como manutenção de vias, capina, melhorias nas margens e reparos em buracos na malha rodoviária estadual.
Apesar de possuir um orçamento anual estimado em cerca de R$ 718 milhões, a atual administração afirmou que não há disponibilidade financeira para a execução imediata de intervenções. Essa indisponibilidade não decorre da falta de autorização orçamentária, mas de limitações na disponibilidade de caixa para pagamentos e contratos.
Desde sua nomeação, em 8 de junho de 2026, a presidente do órgão, coronel Gabryela Reis Dantas, tem conduzido análises sobre contratos, gastos administrativos e estado estrutural das rodovias. Uma das ações recentes envolve a investigação de um contrato de cerca de R$ 250 milhões referente à instalação de 390 radares eletrônicos nas rodovias RJ-104 e RJ-106. Os pagamentos relacionados a esse contrato foram suspensos pelo Tribunal de Contas do Estado devido à apuração de irregularidades, incluindo possíveis sobrepreços estimados em aproximadamente R$ 129 milhões. Apesar da suspensão das transações, o contrato não foi cancelado até o momento, que também foi encaminhado ao Ministério Público.
No município de Maricá, a preocupação central está na RJ-106, uma importante via de ligação com cidades como São Gonçalo, Niterói, Saquarema e demais localidades da Região dos Lagos. Além disso, a equipe técnica do órgão identificou cerca de 40 intervenções emergenciais na rede rodoviária, com dez delas considerando-se prioritárias. Entre essas, destaca-se o Viaduto de Alcântara, em São Gonçalo, que apresenta sinais de deterioração como rachaduras, infiltrações e partes expostas de ferragens, com custo estimado de recuperação em aproximadamente R$ 38 milhões. Documentos internos indicavam problemas estruturais já em setembro de 2024, embora as intervenções ainda não tenham sido realizadas.
Outros pontos de atenção incluem erosões na RJ-135, perda de trecho em trechos da RJ-142, problemas em estruturas na RJ-125, danos na RJ-155, deteriorações na RJ-186 e questões estruturais no viaduto de Santa Rita, na RJ-111. Para esses casos, o órgão busca recursos adicionais, especialmente para as obras mais urgentes.
A reorganização administrativa também está em andamento, incluindo exonerações de servidores comissionados, investigações sobre a regularidade dos funcionários e a preparação de um concurso público para contratação de novos profissionais. O objetivo é preencher 35 vagas, sendo 20 para engenheiros e 15 para cargos técnicos, além de formar cadastro de reserva. Atualmente, o quadro do DER-RJ conta com 174 servidores de carreira, sendo a maioria com mais de 30 anos de serviço.
Medidas de contenção de despesas vêm sendo adotadas, como a redução da frota de veículos alugados, controle do consumo de combustíveis e revisão de aparelhos corporativos. Entre essas ações, destaca-se a eliminação de um cartão corporativo de limite de R$ 20 mil utilizado por um ex-diretor, além da diminuição no número de responsáveis pelo programa de estágio.
Contratos de segurança também estão sendo objeto de auditoria, como o de vigilância armada, que, apesar de estimado em R$ 14 milhões anuais, não apresentou uso de armas pelos vigilantes, e a instalação de cofres para armazenamento de armamentos. Uma corregedoria interna foi criada para acompanhar essas apurações.
Outra frente de investigação envolve a concessão da rodovia RJ-116, que liga a Região Metropolitana à região Serrana. A análise busca esclarecer possíveis prejuízos superiores a R$ 2 bilhões à administração pública, devido a alterações na renovação de contrato por mais 25 anos, além da ausência de estudos independentes e riscos de perda econômica.
A gestão anterior do órgão, liderada pelo ex-presidente Pedro Henrique de Oliveira Ramos, de março de 2023 até junho de 2026, também é alvo de questionamentos. Não houve manifestação oficial dele a respeito, e sua prisão preventiva, em julho de 2026, está relacionada a investigações de vazamento de informações sigilosas, sem que haja condenação definitiva.
Para viabilizar futuras intervenções, o DER-RJ está em busca de recursos junto ao governo estadual, apresentando as prioridades de atuação, incluindo a retomada de procedimentos de manutenção, sinalização e reparos que estavam parados por anos. O acompanhamento dessas ações, especialmente na RJ-106, será fundamental para a manutenção da infraestrutura rodoviária do estado.
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