abril 30, 2026
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30/04/2026

Esporte Clube Originários estreia na Série C do Carioca com equipe indígena e apoio da prefeitura

O Esporte Clube Originários, equipe composta exclusivamente por atletas indígenas, fará sua estreia na Série C do Campeonato Carioca, representando uma iniciativa inédita no esporte nacional. A iniciativa conta com o apoio da Prefeitura de Maricá e marca uma nova etapa na inclusão de grupos tradicionais na competição estadual.

A estreia está agendada para o dia 3 de maio, às 11h, fora de casa, no Estádio da Rua Bariri, em Olaria, diante do Barcelona Esporte Clube. O time é formado por jogadores oriundos de diversas regiões do Brasil, totalizando 15 etnias diferentes, com aproximadamente 30% dos atletas sendo moradores de Maricá. O grupo foi selecionado por meio de uma convocação nacional que recebeu centenas de inscrições, com prioridade para jogadores sub-23 e limite para atletas com idade superior a essa faixa.

Mais do que uma competição esportiva, o projeto tem como objetivo ampliar o acesso de atletas indígenas ao futebol profissional, proporcionando a oportunidade de atuar em uma competição reconhecida oficialmente. Para muitos participantes, trata-se da primeira chance de atuar em torneios federados sem perder a conexão com suas raízes culturais e seus territórios de origem.

Segundo Tupã Darcy Nunes, presidente do clube e liderança indígena local, o projeto possui um significado simbólico, destacando a história de resistência de 526 anos dos povos indígenas e a pauta de reconhecimento e parceria na cidade de Maricá. Ele reforçou a importância de desenvolver ações que promovam o respeito às culturas originárias, valorizando suas tradições e abrindo caminhos concretos para esses grupos.

Durante o campeonato, o Esporte Clube Originários atuará no Estádio João Saldanha. A formação do elenco envolveu uma busca nacional por jovens atletas indígenas em condições de competir. O técnico Huberlan Silva, que já trabalhou com seleções indígenas do Brasil e de outros países americanos, liderou o processo de avaliação e montagem do grupo. Muitos dos jovens, vivendo a primeira experiência fora de suas comunidades, usam o esporte como meio de realizar o sonho de uma carreira profissional.

De acordo com Anderson Terra, do Instituto Terra do Saber, parceiro na gestão administrativa e marketing do clube, o projeto tem impacto além do esporte, promovendo possibilidades inéditas na trajetória de jovens indígenas. Ele destaca que a iniciativa representa uma oportunidade real para esses atletas, muitas vezes impossibilitados de atuar profissionalmente até então.


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