Um homem foi detido no Espírito Santo sob suspeita de planejar a morte do próprio filho de oito anos, após conversas com inteligência artificial indicarem risco de violência. A OpenAI, responsável pelo chatbot GPT, notificou o FBI, que transferiu as informações ao Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. A prisão ocorreu em 19 de junho, dias antes do que, segundo as investigações, seria a data prevista pelo suspeito para cometer o crime.
Segundo análises das mensagens, o suspeito revelou estar com uma arma, uma corda e veneno, além de mencionar intenções de realizar ataques em locais públicos. Em uma das conversas, também afirmou ter tentado contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar a criança, oferta que foi recusada após o possível executor descobrir que a vítima era uma menor. Os registros apontaram ainda frases relacionadas ao desejo de praticar violência e de presenciar o sofrimento de terceiros, considerados graves pelos sistemas de segurança da plataforma.
A OpenAI afirmou que seus sistemas são projetados para proteger a segurança das pessoas e que, ao detectar conversas com ameaçascríveis de dano, acionam as autoridades. A detecção ocorre inicialmente com análises automatizadas que verificam padrões de linguagem e possíveis infrações às políticas de uso. Caso haja suspeita, uma revisão humana pode decidir por tomar medidas, incluindo a comunicação às forças de segurança ou o bloqueio de contas.
No Brasil, o material foi inicialmente encaminhado ao Ministério da Justiça pelo FBI, após o que chegou às mãos da Polícia Civil do Espírito Santo e da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos. O delegado Ícaro Olímpio afirmou que, apesar da negativa do suspeito às acusações, a prisão se deu com base em elementos coletados, incluindo o histórico de conversas fornecido pela plataforma. Para ele, a ação policia impediu uma tragédia de extrema gravidade.
Especialistas discutem o impacto do caso na área de privacidade e segurança digital. O professor da Universidade Federal de São Paulo, Álvaro Machado Dias, observou que assistentes de inteligência artificial não possuem sigilo profissional e que a comunicação às autoridades foi apropriada, dado o risco iminente. No entanto, ele criticou a transferência do alerta ao FBI, alegando que o procedimento deveria ser mais ágil e direto na esfera nacional, considerando que o suspeito, a vítima e o delito estavam dentro do país.
De acordo com o delegado Breno Andrade, episódios como esse continuam sendo raros no Brasil, e esta foi a terceira ocorrência envolvendo alertas originados por conversas com assistentes de inteligência artificial. O caso evidencia os desafios e possibilidades do uso dessas ferramentas na prevenção de atos violentos.
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