junho 20, 2026
junho 20, 2026
20/06/2026

Exposição de Sandra Lapage na Galeria Contempo reflete relações entre materiais reciclados e presença

A exposição “Procissão Suspensa”, de Sandra Lapage, apresenta uma instalação composta por peças suspensas e móveis, realizadas com materiais reciclados como alumínio, cápsulas de café, chapas amassadas e itens doados por comunidades. A proposta central é promover uma comunicação direta com o público, convidando-o a percorrer o espaço e explorar as relações entre os materiais, luz e espaço por meio de múltiplas percepções.

A curadoria sugere uma analogia com uma procissão de seres em movimento, inspirada em uma gravura de James Ensor. Segundo o curador Fabrício Reiner, a mostra funciona como uma “máquina de visibilidade”, refletindo como a vida social também se organiza por meio de figuras aparentemente sem nome, como máscaras e fantasmas, que carregam força na ausência de identidade. Essas obras, ao serem retiradas do chão e das paredes, perdem a condição de objetos estáticos e passam a fazer parte de uma trajetória, transformando o espaço em um meio de deslocamento físico e conceptual.

No centro da instalação, há uma reflexão sobre corpo e presença. As figuras e vestígios de Lapage aparecem como entidades liminares, entre vida e inanimado, humano e natural, desafiando percepções tradicionais e confrontando a naturalização de certos aspectos da realidade. A artista aponta para o questionamento do que constitui um corpo, ao incorporar elementos de descarte, técnica, cultura material e emoções, explorando uma ambivalência que mistura convite e desconforto ao mesmo tempo, por refletir um universo de resíduos que carregam significados.

Esta é a primeira exposição individual de Sandra Lapage na Galeria Contempo, localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. A trajetória da artista inclui reconhecimento internacional, com prêmios como a bolsa da Pollock-Krasner Foundation e o Repaint History Artist Fund, além de exposições em instituições renomadas, como o Museu de Arte de Ribeirão Preto, o Centro Cultural São Paulo e o Institute of Contemporary Art de Portland.


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