abril 29, 2026
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29/04/2026

Exposição no Rio destaca tradição das louceiras de Maruanum e busca reconhecimento como Patrimônio Imaterial

A partir de 30 de abril, será inaugurada no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular uma exposição dedicada às louceiras de Maruanum, reconhecida como uma expressão central do Brasil profundo. A mostra, intitulada “Filhas e netas da Mãe do Barro”, faz parte do programa Sala do Artista Popular e será a primeira a apresentar essa tradição no Museu de Folclore Edison Carneiro, evidenciando uma prática cultural que conecta conhecimentos indígenas e africanos na fabricação de cerâmica.

A iniciativa destaca a relevância de obter o reconhecimento oficial do ofício de produção de louças de barro no território quilombola de Maruanum, localizado no estado do Amapá. A proposta busca avançar para o registro como Patrimônio Imaterial, consolidando a importância de ações que envolvem a transmissão intergeracional, a preservação dos territórios de coleta e a valorização econômica de uma atividade cultural que envolve atualmente 26 artesãs, predominantemente mulheres, que operam em diversas vilas na região rural.

A elaboração das peças, que totalizam 208 na exposição, requer o manejo de matérias-primas locais, como o barro, cinzas de casca de árvores e resinas vegetais, além de um complexos sistema de regras e rituais. O processo envolve oferendas à mãe do barro e preceitos tradicionais que garantem a proteção das peças e a conexão com entidades espirituais, incluindo momentos de agradecimento e canto de versos tradicionais.

A exposição é resultado de ampla pesquisa de campo conduzida por uma antropóloga, que acompanhou a produção durante uma semana em Maruanum, e de uma parceria entre o Iphan, o Instituto Federal do Amapá e outras instituições. A pesquisa aborda também o papel das crenças afroindígenas e das práticas rituais presentes na atividade, reforçando a dimensão cultural e espiritual da tradição.

A realização enfrentou diversos desafios logísticos e de preservação, devido à fragilidade das cerâmicas e às dificuldades de transporte entre as vilas e a capital. A exibição faz parte da série de mostras de arte popular promovidas desde 1983, cujo foco é promover a valorização das mãos e saberes tradicionais, além de manter viva essa memória cultural por meio de vendas diretas e pontos de venda, como a Casa do Artesão Amapaense.

A abertura contará com uma roda de conversa mediada por Ana Carolina Nascimento, entre representantes das comunidades de Maruanum, pesquisadores e autoridades, destacando a importância do reconhecimento e da continuidade do ofício. A mostra permanecerá aberta até 1º de julho, com visitas permitidas de terça a domingo.


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