O desembargador Ricardo Couto, atualmente em exercício do cargo de governador do Rio de Janeiro, revelou ter recebido um total de R$ 84 mil líquidos em maio, montante que resulta da soma de seus salários como governador interino e presidente do Tribunal de Justiça do Estado. A informação foi divulgada pelo próprio em entrevista concedida à revista Veja nesta sexta-feira, 26 de junho.
Durante a conversa, Couto comentou sobre a disparidade entre os vencimentos do Executivo estadual e do Judiciário, destacando que a remuneração relativamente baixa no alto escalão estadual dificulta a atração de profissionais qualificados ao governo. Ele explicou que seu salário bruto como governador é de R$ 21 mil, enquanto, na soma dos valores recebidos por suas funções, ultrapassa R$ 84 mil líquidos.
O desembargador também comparou suas remunerações com o salário bruto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é de R$ 44 mil. Ressaltou, contudo, que há diferenças entre os valores citados, já que a quantia de Couto refere-se ao montante líquido acumulado de duas funções. Questionado sobre a justiça de um juiz de carreira receber mais do que o presidente da República, Couto preferiu não entrar em polêmicas, defendendo a importância de remunerações compatíveis para o chefe do Executivo.
Em relação às negociações com o governo federal, Couto revelou que conversou de maneira tranquila com Lula sobre a adesão do Rio ao programa de renegociação de dívidas com a União, o Propag. Além disso, destacou que buscou contato direto com o presidente e que a conversa foi considerada positiva, considerando a escassez de interlocuções similares com governadores do Estado recentemente.
Por fim, o desembargador reafirmou sua legitimidade para permanecer no cargo sob a justificativa de respaldo constitucional, embora não possua legitimidade popular. Ele explicou que a interpretação jurídica prevalente determina que quem ocupa interinamente a vaga deve permanecer até a posse do próximo eleito, garantindo assim segurança jurídica. Atualmente, Couto mantém-se no comando provisório do Rio de Janeiro por decisão do Supremo Tribunal Federal, que ainda não definiu o procedimento de escolha do governador tampão, seja por eleição direta ou indireta.
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